PF faz operação no Amapá contra deputado estadual por desvio de R$ 1 milhão de cota parlamentar

PF faz operação no Amapá contra deputado estadual por desvio de R$ 1 milhão de cota parlamentar

Tribunal de Justiça do Amapá determinou o afastamento de Alberto Negrão (PP) do cargo na Assembleia Legislativa; Operação En Passant, deflagrada neste sábado, 27, investiga supostos crimes de associação criminosa, peculato, falsidade ideológica e duplicata simulada desde 2019

Redação

27 de novembro de 2021 | 17h13

O deputado Alberto Negrão. Foto: Assembleia Legislativa do Amapá/Reprodução

A Polícia Federal deflagrou na manhã deste sábado, 26, a Operação En Passant para investigar um suposto esquema de desvio de cota parlamentar no gabinete do deputado Alberto Negrão (PP), da Assembleia Legislativa do Amapá. A corporação estima que cerca de R$ 1 milhão foi desviado dos cofres da Alap desde 2019.

Cerca de 40 agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão na capital, Macapá, em residências e empresas dos investigados. As ordens foram expedidas pelo Tribunal de Justiça do Estado, que ainda determinou o afastamento do deputado do mandato.

A ofensiva mira supostos crimes de associação criminosa, peculato, falsidade ideológica e duplicata simulada, diz a PF.

A ‘En Passant’ é um desdobramento da Operação Terça Parte, deflagrada em maio para investigar suposta nomeação de funcionários fantasmas e rachadinha no gabinete de Negrão.

A PF diz ter encontrado indícios de um esquema de desvio de valores, que ocorrem pelo menos desde 2019, por parte do deputado, que deveriam custear despesas típicas do exercício do mandado parlamentar.

“No esquema criminoso, o parlamentar solicitava o ressarcimento desta verba, em proveito próprio, de gastos inexistentes e contava com a participação de diversas pessoas físicas e empresas que emitiam notas fiscais frias em troca de parte do valor”, explicou a corporação em nota.

Os investigadores apontam ainda que, um dos principais articuladores do esquema, seria uma funcionária do gabinete de Negrão, que já havia sido afastada judicialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá na Operação Terça Parte, por indícios de participação na rachadinha.

De acordo com a PF, uma das empresas que emitiam as notas fiscais ideologicamente falsas, em troca de comissão, era do marido da servidora citada. Os investigados usavam empresas de locação de veículo e embarcação, escritório de contabilidade e advocacia e serviço de comunicação social, com a emissão das notas frias, para justificar os gastos inexistentes, indicam ainda os investigadores.

O nome da operação, ‘En Passant’, faz referência à ‘jogada do xadrez na qual uma peça tira proveito de um avanço inesperado do fluxo da peça adversária, enganando o movimento natural dela e capturando-a’, diz a PF.

“No caso da investigação, o principal investigado engana o fluxo financeiro da cota parlamentar, mediante emissão de notas fiscais frias, desviando os recursos em proveito próprio e alheio”, explicou a Polícia Federal.

Operação En Passant. Foto: Polícia Federal

COM A PALAVRA, O DEPUTADO

A reportagem busca contato com o parlamentar. O espaço está aberto para manifestações.

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