PF faz Operação ‘Harem BR’ contra rede de tráfico de mais de 200 mulheres para exploração sexual no exterior

PF faz Operação ‘Harem BR’ contra rede de tráfico de mais de 200 mulheres para exploração sexual no exterior

Agentes cumprem ordens de busca e apreensão e de prisão em seis Estados; quatro alvos que estão no Brasil já foram presos e os nomes de alguns investigados foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol

Redação

27 de abril de 2021 | 09h24

Operação Harem BR. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça, 27, a Operação Harem BR para desarticular um grupo criminoso voltado ao tráfico de mais de 200 mulheres para fins de exploração sexual. A corporação identificou uma rede de aliciadores que age no Brasil e no exterior e teria enviado mulheres para cinco Países diferentes. Há indícios de que menores de 18 anos foram envolvidas no esquema, diz ainda a PF. Seis suspeitos foram presos – quatro no Brasil, um em Portugal e um na Espanha.

Agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão e oito de prisão preventiva nas cidades de São Paulo (SP), Goiânia (GO), Foz do Iguaçu (PR), Venâncio Aires (RS), Lauro de Freitas (BA) e Rondonópolis (MT). As ordens foram expedidas pela 1ª Vara da Justiça Federal em Sorocaba.

Segundo a PF, quatro mandados de prisão já foram executados no Brasil, sendo que o principal alvo da ofensiva foi detido em São Paulo, no bairro Granja Julieta. As outras ordens foram cumpridas em Foz do Iguaçu, Goiânia e Rondonópolis.

Os investigadores apontaram ainda que as outras ordens de prisão foram incluídas na Difusão Vermelha da Interpol, diante da suspeita de que alguns investigados estejam fora do País, mais precisamente no Estados Unidos, Espanha, Portugal e Austrália.

Segundo a corporação, as investigações da ‘Harem BR’ tiveram início em 2019, em um desdobramento da Operação Nascostos, que mirou um grupo de estelionatários que praticava fraudes pela internet, clonando cartões de crédito.

No curso de tal inquérito, a Polícia Federal identificou que algumas das compras feitas pelos estelionatários com cartões clonados foram de passagens aéreas, as quais tiveram como destinatárias duas mulheres que viajaram a Doha, no Catar.

Elas foram identificadas como vítimas de exploração sexual, e, segundo os investigadores, ‘relataram cerceamentos de direitos a que foram submetidas nesse destino, bem como que receberam as passagens de um indivíduo que as agenciou para a prática dos atos de prostituição’.

“Com o avanço das investigações, identificou-se uma rede de agenciadores/aliciadores que atua na exploração sexual tanto em território nacional quanto no exterior. Até o momento, a investigação apurou que os países nos quais houve viagens para fins de exploração sexual são Brasil, Paraguai, Bolívia, Estados Unidos, Catar e Austrália”, explicou a PF.

Os investigadores apontam ainda que há indícios de que em algumas viagens ao Paraguai foram aliciadas garotas menores de 18 anos.

A corporação diz que também apura a apresentação de documentos possivelmente falsos perante a Embaixada da Austrália no Brasil para dar entrada em pedidos de vistos australianos, como holerites e comprovantes de vínculos empregatícios.

De acordo com a PF, os crimes investigados são: favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável, tráfico de mulheres para fins de exploração sexual; falsidade material e/ou ideológica e uso de documento falso; favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual e Rufianismo.

Operação Harem BR. Foto: Polícia Federal

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