PF faz operação contra o tráfico internacional de armas e mira Ronnie Lessa, acusado da execução de Marielle e Anderson

PF faz operação contra o tráfico internacional de armas e mira Ronnie Lessa, acusado da execução de Marielle e Anderson

Ofensiva cumpre sete mandados de prisão preventiva e cinco ordens de busca e apreensão contra grupo suspeito de comprar armas de fogo, peças, acessórios e munições nos EUA, para posterior envio ao Brasil; para montagem dos armamentos, investigados usavam uma impressora 3D

Marcio Dolzan e Pepita Ortega

15 de março de 2022 | 08h40

Atualizada às 13h*

Operação Florida Heat. Foto: Polícia Federal

Uma operação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), em parceria com a Agência de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations – HSI) da Embaixada dos Estados Unidos, cumpre na manhã desta terça-feira, 15, sete mandados de prisão preventiva contra suspeitos de integrar uma organização criminosa que atua no tráfico internacional de armas. De acordo com os investigadores, o grupo utilizava impressoras 3D para montagem do armamento.

Entre os alvos da operação está o ex-policial militar reformado Ronnie Lessa, um dos acusados do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes – crime completou quatro anos nesta segunda-feira, 14, sem resolução. Lessa é alvo de um mandado de prisão preventiva, cumprido na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande. O ex-PM já estava detido sob acusação de envolvimento no homicídio de Marielle e Anderson, e, em outubro de 2021, foi alvo de mais uma ordem de prisão, por lavagem de dinheiro.

De acordo com a a PF, três alvos da ofensiva moram nos EUA e que possuem cidadania americana. Eles foram notificados dos mandados de prisão no Brasil, mas não foram presos. Os nomes foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol para um eventual processo de extradição ao Brasil ou transferência de processo para os Estados Unidos, diz a corporação.

Cerca de 50 agentes, além de membros do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Procuradoria (GAECO/MPF) e de agentes americanos participam das diligências. Além dar cumprimento às ordens de prisão, os policiais federais ainda executam cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Batizada Florida Heat, a ofensiva acontece simultaneamente no Rio, em Campo Grande (MS) e em Miami, nos Estados Unidos. O nome da operação faz referência ao estado americano de onde as armas eram enviadas ao Brasil, diz a PF.

As investigações que culminaram na ofensiva realizada na manhã desta terça-feira, 14, tiveram início há dois anos e apontam para a existência de um grupo responsável pela aquisição de armas de fogo, peças, acessórios e munições nos EUA, para posterior envio ao Brasil, indica a PF.

Segundo a corporação, os investigadores apreenderam milhares de armas, peças, acessórios e munições de diversos calibres, tanto no Brasil, quanto nos EUA ao longo das apurações.

O tráfico de armas ocorria pelo mar, através de contêineres, e por via aérea, mediante encomenda postal, diz a PF. As armas passavam pelos estados do Amazonas, São Paulo e Santa Catarina e tinham como destino final uma residência em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro.

Segundo os investigadores, na maioria das vezes o material era escondido dentro de equipamentos como máquinas de soldas e impressoras, itens que eram despachados em meio a telefones, equipamentos eletrônicos, suplementos alimentares, roupas e calçados.

Montagem

A Polícia Federal informou que na residência usada pelos criminosos em Vila Isabel as peças eram retiradas e passavam por processo de usinagem e montagem do armamento. Os suspeitos utilizam impressoras 3D. Depois de prontas, as armas eram distribuídas para traficantes, milicianos e assassinos de aluguel.

O dinheiro utilizado para a compra do armamento era enviado através de doleiros. Um brasileiro, que é dono de churrascarias em Boston, recebia parte do montante e repassava para os alvos residentes nos EUA.

Ainda de acordo com a PF, os criminosos investiam o dinheiro em imóveis residenciais, criptomoedas, ações, veículos e embarcações de luxo. Por isso, além dos mandados, a Justiça autorizou o sequestro de bens, avaliados em cerca de R$ 10 milhões.

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