PF faz ‘Operação Descobrimento’ contra o tráfico de cocaína entre Brasil e Portugal e doleira da Lava Jato é presa em Lisboa

PF faz ‘Operação Descobrimento’ contra o tráfico de cocaína entre Brasil e Portugal e doleira da Lava Jato é presa em Lisboa

Nelma Kodama, alvo da primeira fase da extinta Operação Lava Jato, em março de 2014, foi presa nesta terça-feira, 19, sob suspeita de promover câmbio ilícito de valores da organização criminosa; ao todo, agentes cumprem 46 ordens de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva nos dois países

Pepita Ortega e Fausto Macedo

19 de abril de 2022 | 08h48

Apreensão da Operação Descobrimento, realizada nesta terça-feira, 19. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 19, uma operação batizada ‘Descobrimento’ para desarticular suposta organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína entre Brasil e Portugal. A apuração teve início após agentes apreenderem mais de 500 quilos da droga escondidos na fuselagem de um jato português que pousou na Bahia.

A PF informou que a doleira Nelma Kodama foi presa em Lisboa. Em março de 2014, Nelma foi presa em São Paulo na primeira fase da extinta Operação Lava Jato quando tentava embarcar para Milão, na Itália, com 200 mil euros escondidos na calcinha. Segundo a PF, ela agia como doleira do tráfico entre Portugal e Brasil.

Em 2019, a ‘Dama do Mercado’ voltou aos holofotes depois de publicar uma foto em seu perfil no Instagram com vestido vermelho, sapato ‘Chanel’ e a tornozeleira eletrônica. Outra aparição emblemática da doleira se deu durante um depoimento à CPI da Petrobrás em 2015, em que cantou trecho de Amada Amante, música do Rei Roberto Carlos para explicar como era sua relação com o doleiro Alberto Youssef.  Ela teve extinta sua pena de 15 anos de prisão decretada na Operação Lava Jato, graças ao indulto natalino concedido no final de 2017 pelo ex-presidente Michel Temer.

Ao todo, os agentes da Operação Descobrimento cumprem 46 ordens de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva nos dois países. No Brasil, as diligências são realizadas nos Estados da Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia e Pernambuco. Já em Portugal, a polícia vasculha três endereços e executa duas ordens de prisão preventiva nas cidades do Porto e Braga.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal de Salvador e pela Justiça portuguesa. A Justiça Federal ainda decretou o sequestro de imóveis e bloqueios de valores em contas bancárias usadas pelos investigados.

Nelma Kodama. Foto: Reprodução/Justiça Federal

De acordo com a PF, as apurações foram iniciadas em fevereiro de 2021, com a apreensão de cocaína escondida na fuselagem de um jato executivo Dassault Falcon 900. A aeronave, pertencente a uma empresa portuguesa de táxi aéreo, havia pousado no aeroporto internacional de Salvador para abastecimento.

A Polícia Federal afirma que conseguiu, a partir da apreensão, identificar a estrutura da organização criminosa sob suspeita. De acordo com os investigadores, o grupo é composto por fornecedores de cocaína, mecânicos de aviação e auxiliares (responsáveis pela abertura da fuselagem da aeronave para acondicionar o entorpecente), transportadores (responsáveis pelo voo) e doleiros (responsáveis pela movimentação financeira do grupo).

Ao longo das apurações, a PF contou com o apoio do Ministério Público Federal, da Drug Enforcement Administration – a Agência de combate às drogas dos Estados Unidos -, e da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária Portuguesa.

Apreensão que deu início às investigações da ‘Descobrimento’, em fevereiro de 2021. Foto: Polícia Federal

COM A PALAVRA, O ADVOGADO NELSON WILIANS, QUE REPRESENTA NELMA KODAMA

O advogado Nelson Wilians, que representa Nelma Kodama, informa que sua cliente ficou surpresa com a prisão decorrente da operação policial em um hotel de Lisboa, em Portugal. O advogado diz que confia na Justiça e espera, em breve, ter acesso aos autos para entender a motivação da prisão da empresária, e se manifestar perante as autoridades competentes.

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