PF faz novas prisões na Lava Jato

Um dos detidos é o empresário Dario Galvão, acionista da Galvão Engenharia

Redação

27 de março de 2015 | 07h31

Atualizada às 19h06

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Ricardo Chapola

A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira, 27, o empresário Dario Galvão, acionista da empreiteira Galvão engenharia.  Ele é presidente do conselho de administração da empresa. A prisão de Dario Galvão foi decretada pelo juiz Sergio Moro, que conduz todas as ações penais da Operação Lava Jato. A PF executa, pelo menos, outros dois mandados de prisão e busca.

Dario Galvão. Foto: Divulgação

Dario Galvão. Foto: Divulgação

O outro preso é Guilherme Esteves, apontado pela força-tarefa como operador do esquema de corrupção que operava na Petrobrás. A Galvão engenharia é uma das 16 empreiteiras alvo da investigação sobre propinas, corrupção e carteirização na Petrobrás.

Na última quarta-feira, 25, a Galvão protocolou no Rio de Janeiro pedido de recuperação judicial, alegando dificuldades financeiras por causa de inadimplência, inclusive da Petrobrás. Em nota, a estatal reitera que “está em dia com todas as suas obrigações contratuais”. A Petrobrás informou ainda que só não paga no ato pleitos de pagamentos adicionais feitos pelas empresas contratadas. Esses pleitos, segundo a estatal, são “submetidos a avaliação”.

“A Petrobrás reitera que está em dia com as suas obrigações contratuais, e que os pagamentos dos compromissos reconhecidos com as contratadas são realizados de acordo com a legislação vigente e os prazos contratuais”, diz o texto. “Empresas contratadas apresentam pleitos de pagamentos adicionais, que são submetidos a avaliação. Eventuais pleitos não representam a existência de dívida por parte da Petrobrás”.

Um dos executivos da empreiteira, Erton Medeiros, está preso desde novembro.

Nos últimos dias, dois empreiteiros fizeram revelações à força-tarefa da Lava Jato, acerca do envolvimento de outros empresários. Um deles é Gerson Almada, da Engevix Engenharia. O outro é o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia.

Dario Galvão é alvo de ordem de prisão preventiva.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA SYLVIA URQUIZA, QUE DEFENDE O EMPRESÁRIO DARIO GALVÃO.

Em nota, divulgada nesta sexta feira, 27, a advogada Sylvia Urquiza reagiu à prisão do empresário Dario Galvão. Na avaliação de Sylvia Urquiza a prisão do presidente da holding do Grupo Galvão “é ilegal e absolutamente sem fundamento”.

“Não há justificativa legal para a decretação da prisão de Dario Galvão”, afirma a advogada.

Sylvia Urquiza destaca que Dario Galvão compareceu a todos os atos processuais, “demonstrando respeito ao Judiciário”.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA ADVOGADA SYLVIA URQUIZA, DEFENSORA DO EMPRESÁRIO DARIO GALVÃO.

“Dario Galvão não é executivo da Galvão Engenharia. É presidente da holding do Grupo Galvão, que controla várias empresas.

Sua prisão é absolutamente sem fundamento e ilegal. Dario Galvão compareceu a todos os atos processuais, demonstrando respeito ao Judiciário. Não há justificativa legal para a decretação da sua prisão.

Dario Galvão não cometeu nenhuma conduta criminosa. Confiamos no Judiciário e vamos interpor habeas corpus requerendo a sua liberdade. Sylvia Urquiza.”

COM A PALAVRA, A GALVÃO ENGENHARIA.

“A prisão do empresário Dario Queiroz Galvão Filho nesta manhã foi um ato arbitrário, sem qualquer motivação ou fundamento legal.

Dario Galvão não cometeu nenhuma conduta criminosa. Jamais foi mandante de crime algum. Compareceu a todos os atos processuais, em total respeito ao Judiciário.

Justamente por confiar na justiça, adotará as medidas legais para que seja determinada sua liberdade.

O empresário preside a Galvão Participações S/A, holding que controla as empresas do Grupo Galvão. A Galvão Engenharia, empresa criada em 1996, faz parte do grupo e sempre foi reconhecida no mercado por sua excelência. As diversas empresas do grupo atuam em projetos de infraestrutura que têm grande relevância para o crescimento do país e seus cidadãos, chegando a empregar mais de 15.000 colaboradores diretos e gerando mais de 50.000 empregos indiretos.

Os pagamentos as empresas de consultoria investigados na operação Lava Jato são objeto de análise judicial ainda não concluída. A empresa entende que há total inversão de fatos e valores. Ignora-se a sangria que vem sendo perpetrada na Petrobras ao longo dos últimos anos e atribui-se à iniciativa privada, que exerce atividade absolutamente lícita e no interesse do crescimento econômico do Brasil, a responsabilidade por cooptar funcionários públicos. Qualquer ilícito relativo aos fatos, porém, não passaria de mera extorsão.

A Galvão Engenharia rechaça veementemente qualquer tentativa de incluí-la nas alegações de formação de cartel, corrupção, fraude e lavagem de dinheiro, e permanece acreditando na justiça das instituições brasileiras.”

Tudo o que sabemos sobre:

Lava JatoPetrobrás