PF faz buscas na 2ª fase da Operação Tergiversação contra esquema de propinas na sede da corporação no Rio

PF faz buscas na 2ª fase da Operação Tergiversação contra esquema de propinas na sede da corporação no Rio

Agentes cumprem dois mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão em nova etapa da operação que mira outros empresários e advogados supostamente envolvidos na organização criminosa que fazia pagamentos em troca de blindagem em inquéritos

Redação

15 de outubro de 2020 | 07h24

Fachada da Superintendência Regional da PF no Rio. Foto: Google Maps

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, nesta quinta-feira, 15, a 2ª fase da Operação Tergiversação que, em junho do ano passado, desarticulou uma organização criminosa acusada de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, organização criminosa e obstrução à Justiça. Segundo a PF, elementos colhidos no curso das investigações apontam que o esquema movimentou cerca de R$ 10 milhões.

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Na manhã de hoje, os agentes cumpriram um mandado de prisão preventiva contra um delegado da Polícia Federal e executam outros 33 de busca e apreensão, todos expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, contra servidores públicos federais e estaduais, empresários e advogados. Entre os alvos das buscas estão os advogados João Mestieri e Rafael da Silva Faria. Uma segunda ordem de prisão está em aberto.

A operação também apreendeu sete veículos de luxo, nove obras de arte, celulares, computadores, HDs e documentos, além de 43 mil dólares, 22 mil euros e R$ 53 mil.

Nesta nova fase, a investigação mira outros empresários que participaram do suposto esquema de pagamento de propina para policiais federais em troca de proteção nas investigações realizadas em operações, e advogados que atuaram como intermediários das cobranças de vantagens indevidas dos empresários e ficavam com uma parcela dos valores pagos. A organização criminosa atuava dentro da Superintendência da PF do Rio, segundo apontaram a própria Polícia Federal e o MPF.

Os inquéritos sob suspeita, em que agentes teriam recebido propinas, estão relacionados às Operações Titanium (fraudes envolvendo o Plano de Saúde dos Correios) e Viupostalis/Recomeço (fraudes envolvendo o Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios), que eram conduzidas pelo delegado de Polícia Federal Lorenzo Pompílio da Hora, com o apoio do escrivão Éverton da Costa Ribeiro, lotados à época no Núcleo de Repressão a Crimes Postais da Delepat/RJ. Ambos chegaram a ser denunciados na primeira fase da operação.

As investigações que levaram à nova etapa da ‘Tergiversação’, desenvolvidas em conjunto pela PF e o MPF, tiveram como base as quebras de sigilo dos investigados, o material colhido nas buscas e apreensões no ano passado e dois acordos de colaboração premiada.

COM A PALAVRA, OS CITADOS
A reportagem busca contato com os citados. O espaço está aberto para manifestações.

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