PF busca ‘laranjas’ na sede do PSL em Minas

PF busca ‘laranjas’ na sede do PSL em Minas

Operação 'Sufrágio Ostentação' apura suspeitas de lançamento de mulheres em candidaturas laranja; são realizadas ainda buscas e apreensões em gráficas e empresas de comunicação de Belo Horizonte

Leonardo Augusto, especial para O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2019 | 09h45

PSL. Foto: Fabio Motta / Estadão

A Polícia Federal cumpre na manhã desta segunda, 29, sete mandados de busca e apreensão em Minas Gerais dentro das investigações que apuram suspeitas de lançamento de mulheres em candidaturas laranja pelo PSL nas eleições do ano passado. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, era presidente da legenda à época e faria parte do esquema, que visava desvio de recursos públicos do fundo partidário destinado às candidaturas.

A operação foi batizada de “Sufrágio Ostentação”. A sede do PSL em Minas Gerais, que fica no bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, está na lista dos alvos da PF. Estão sendo realizadas buscas e apreensões ainda em gráficas e empresas de comunicação da capital, Contagem e Lagoa Santa, ambos municípios da Grande Belo Horizonte, e de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço. O ministro Marcelo Álvaro Antonio não é alvo da operação.

Há ainda mandado para um morador de Ipatinga, também no Vale do Aço, que teria ligação com assessores de Marcelo Álvaro Antonio à época da eleição. O ministro é deputado federal em segundo mandato. O objetivo da operação é apreender computadores, documentos, tablets, meios de armazenamento (pen-drive, CDs, DVDs) e outros objetos utilizados na produção e distribuição de impressos em relação à campanha de 2018.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Pelo menos quatro mulheres já denunciaram o esquema, que também é investigado pelo Ministério Público. A primeira candidata, todas foram derrotadas, a afirmar que houve desvio dos recursos às autoridades foi a professora aposentada Cleuzenir Barbosa, de Governador Valadares, Região Leste de Minas, que disputou vaga na Assembleia Legislativa. A ex-candidata, que vive hoje em Portugal, relata ter sofrido pressão de integrantes do PSL de Minas para utilizar recursos fora da sua campanha.

O ministro Marcelo Álvaro Antonio nega as acusações, e afirma ser vítima de fogo amigo dentro do partido. No último dia 22, material de campanha de outra candidata a deputada estadual pelo PSL nas eleições de 2018 em Minas Gerais, Zuleide Aparecida de Oliveira, foi entregue ao Ministério Público Federal. O material pode ser a principal prova de que o partido não contabilizou gastos nas eleições 2018.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DO TURISMO

O Ministério do Turismo informou, em nota. “O ministro Marcelo Álvaro Antônio reitera que o partido seguiu rigorosamente o que determina a legislação eleitoral.”

Ele afirma que segue à disposição da Polícia Federal para prestar todas as informações necessárias, ‘pois há mais de um mês se ofereceu espontaneamente para prestar depoimento às autoridades do caso’.

“O ministro reforça sua confiança no trabalho isento, sério e justo das autoridades. O que vem me atingindo há cerca de 3 meses é resultado de uma disputa política local, cujos interesses são prejudicados com minha presença no Ministério do Turismo”, afirma o ministro”.
Marcelo Álvaro Antônio esclareceu, ainda, que já entregou ao Ministério Público de Minas ‘as provas das verdadeiras motivações das supostas denúncias’.

“Sigo confiante de que a verdade prevalecerá”, finaliza.

COM A PALAVRA, O PSL

O PSL de Minas, em nota, disse tratar ‘com naturalidade as buscas e apreensões realizadas pela operação da Polícia Federal’ e que entende a ação como uma etapa normal das investigações em andamento, com a qual vem espontaneamente colaborando”.

O texto diz ainda que ‘o partido permanece na confiança do trabalho técnico e isento da PF, acreditando que não há participação de dirigentes do partido em qualquer esquema envolvendo candidatas laranjas em Minas Gerais’.

O partido afirma que ‘em relação às perguntas específicas recebidas por e-mail deste jornal, o partido informa que todas as gráficas contratadas para produção de material de campanha (doação estimada) nas eleições do ano passado emitiram a correspondente nota fiscal, e todas constam da prestação de contas do partido ao TRE, cujo acesso é público”, e que ‘o PSL de Minas não tem conhecimento de qualquer gráfica de propriedade do irmão da pessoa de Roberto Soares’.

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