PF mira Ciro Nogueira (PP) em investigação sobre R$ 43 mi em propinas

PF mira Ciro Nogueira (PP) em investigação sobre R$ 43 mi em propinas

Operação batizada de Compensação foi autorizada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como objetivo avançar nas investigações sobre os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionados à pagamentos do Grupo J&F

Fabio Serapião e Fausto Macedo

22 de fevereiro de 2019 | 07h24

Senador Ciro Nogueira (PP/PI) é acusado de obstrução de Justiça. Foto: Beto Barata/Agência Cãmara

A Polícia Federal realiza na manhã desta sexta-feira, 22, buscas em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP). Batizada de Compensação, a ação foi autorizada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como objetivo avançar nas investigações sobre os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Cerca de 30 policiais federais cumprem sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Teresina (PI), Brasília (DF) e São Paulo (SP). Segundo a PF, a investigação teve como origem os depoimentos prestados por colaboradores do Grupo J&F, dono da JBS, que afirmaram terem repassado cerca de R$ 43 milhões ao Partido Progressista, em pagamentos em espécie e doações oficiais, por intermédio do citado senador, em troca de apoio político do partido na campanha eleitoral para a eleição presidencial de 2014.

O caso está relacionado aos repasses da empresas para partidos e políticos com o objetivo de angariar apoio à candidatura à Presidência da petista Dilma Rousseff.

Foto: Edilson Rodrigues|Agência Senado

“Verifica-se nos autos existência de indícios mínimos aptos a motivar a abertura de investigação no âmbito dessa Corte sobre o pagamento de vantagens indevidas, no ano de 2014 e 2017, em beneficio do Senador da Republica Ciro Nogueira Lima Filho para que seu partido apoiasse o governo nas eleições presidenciais, bem como não agisse contra a então Presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment instaurado no Congresso Nacional”, afirmou a procuradora -geral Raquel Dodge ao abrir a investigação.

Em nota sobre a operação, a PGR afirmou que os colaboradores narraram a compra de apoio político a partidos por meio de Ciro Nogueira e que “parte da propina paga ao partido do parlamentar foi viabilizada por meio de doações oficiais – simuladas – e outra parte no valor de R$ 5 milhões foi paga em espécie por meio de uma pessoa ligada ao senador.”

COM A PALAVRA, CIRO NOGUEIRA

“A Defesa do Senador Ciro Nogueira vem denunciar, mais uma vez, o direito penal do espetáculo. O que está sendo apreendido nesta busca e apreensão é o que foi recentemente restituído pelo Supremo Tribunal em virtude de outra operação que não resultou em Ação Penal , o Supremo rejeitou a Denúncia, pois baseada tão somente na palavra de outro delator. Tal constrangimento poderia ser evitado com a simples intimação do Senador para prestar esclarecimento pois , é evidente, este sempre se colocou à disposição do Poder Judiciário”,  enviou em nota o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay.

COM A PALAVRA, J&F

A J&F, seus acionistas e executivos são colaboradores da justiça, contribuem com todas as investigações decorrentes de fatos narrados na colaboração e estão rigorosamente comprometidos com os já implementados programas de combate à corrupção, boas práticas e ética empresarial para que erros do passado nunca mais se repitam.

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