PF faz buscas em endereços de Pimentel para investigar falsidade eleitoral e lavagem de R$ 3 mi em Minas

PF faz buscas em endereços de Pimentel para investigar falsidade eleitoral e lavagem de R$ 3 mi em Minas

O ex-governador do Estado Fernando Pimentel (PT) é alvo da Operação Monograma, que cumpre dois mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte; as ações são um desdobramento da operação Acrônimo

Leonardo Augusto, Especial para O Estado de São Paulo

12 de agosto de 2019 | 07h37

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Foto: ANDRE DUSEK | ESTADÃO

A Polícia Federal deflagrou hoje, 12, a operação Monograma, contra crimes de falsidade eleitoral e lavagem de dinheiro em desdobramento de outra operação, a Acrônimo, que tem com um dos investigados os ex-governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). O esquema teria movimentado R$ 3 milhões e contou com participação de empresa no Uruguai. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Pimentel, entre eles o Apartamento do ex-governador em edifício na Serra, Centro-Sul de  Belo Horizonte. No local, a PF apreendeu R$ 60 mil em espécie. As ordens foram expedidas pela 32ª Zona Eleitoral, na capital.

Prédio em que o ex-governador Fernando Pimentel (PT) mantém apartamento, no bairro Serra, um dos endereços em que a PF cumpriu hoje mandado de busca e apreensão. Foto: Leonardo Augusto

A primeira fase da Acrônimo ocorreu em 2015. As investigações que levaram à deflagração da Monograma apontaram, de acordo com a PF, “possíveis delitos eleitorais, nos quais empresas de consultoria, mediante a simulação de prestação de serviços, teriam sido usadas para o recebimento de vantagens ilícitas em montante superior a R$ 3 milhões”.

De acordo com o delegado da Polícia Federal, Marinho Rezende, a operação tem como objetivo tentar confirmar que Pimentel seria sócio oculto ‘com poder de mando’, de empresa de consultoria que emitiu nota por serviços que não teriam sido realizados para a construtora OAS, em valor superior a R$ 3 milhões. Pessoas ligadas a Pimentel estariam entre os sócios.

Provas conseguidas pela PF, com base em delação premiada, “indicaram que os valores recebidos decorreram de atuação de agente político em benefício de negócios de empresa brasileira no Uruguai”.

O dinheiro teria entrado por caixa 2 para a campanha de Pimentel ao governo de Minas em 2014. Em troca, a OAS teria conseguido indicação de obras no Uruguai por influência do petista quando ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, durante o governo de Dilma Rousseff (PT).

Segundo a corporação, “em razão de novo entendimento jurisprudencial, as investigações anteriormente eram conduzidas pelo Superior Tribunal de Justiça, passaram a tramitar na 32ª Zona Eleitoral em Belo Horizonte a partir de em junho de 2019”.

Com a palavra, o advogado Eugênio Pacelli, que defende Fernando Pimentel

“Estranhamos a medida, que se refere a fatos de 2014. E a Operação Acrônimo já adotou todas as medidas possíveis. Estamos contribuindo, colocando tudo à disposição, apesar do excesso que carateriza essa busca e apreensão.”

Tudo o que sabemos sobre:

Operação Acrônimo

Tendências: