PF faz buscas em endereços de Ciro Nogueira

PF faz buscas em endereços de Ciro Nogueira

Ordens judiciais foram requeridas pela PF nos autos de inquérito em andamento que apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Fabio Serapião/BRASÍLIA

27 de setembro de 2018 | 08h12

Ciro Nogueir

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira, 27, dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em imóveis em Teresina. Os endereços são ligados ao senador Ciro Nogueira (PP).

As ordens judiciais foram requeridas pela PF  nos autos de inquérito em andamento que apura os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A apuração tem origem na delação de executivos da Odebrecht.

Segundo a PF, as investigações tiveram início com acordos de colaboração premiada firmados por executivos da empreiteira junto à Procuradoria-Geral da República e que apontaram os caminhos percorridos pelos valores que teriam sido desviados de obras públicas concedidas à empresa.

As suspeitas no inquérito, sob a relatoria do ministro Edson Fachin, são de que Nogueira procurou executivos da Odebrecht em 2010 e 2014 pedindo repasses repasses financeiros a pretexto de sua campanha eleitoral e também para o Partido Progressista (PP), do qual hoje é presidente.

Segundo os relatos, no ano de 2010, teria o senador recebido a importância de R$ 300 mil, valor não contabilizado e pago pelo setor de Operações Estruturadas do grupo Odebrecht (o departamento de propina), com registro no sistema “Drousys” com identificação do beneficiário pelo codinome “Cerrado”. No ano de 2014, o parlamentar teria recebido, dessa feita, R$ 1,3 milhão em duas parcelas, da mesma forma através de operações não contabilizadas.

As informações que baseiam a investigação foram reveladas pelos ex-executivos da Odebrecht José de Carvalho Filho, Cláudio Melo Filho, Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Carlos José Fadigas de Souza Filho em colaboração premiada.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO

O Senador Ciro Nogueira foi citado nas delações da UTC e da Odebrecht. A delação da UTC deu ensejo a uma Denúncia feita pela PGR que foi REJEITADA pelo Supremo  Tribunal Federal. Nela o Supremo desconsiderou o valor probatório mínimo da delação e sequer permitiu a abertura do processo penal contra o Senador.A outra delação, da Odebrecht, fez com que fosse aberto o Inquérito 4407 no Supremo. Esta delação, bastante conhecida, é antiga. O Inquérito esta aberto no Supremo Tribunal ha 18 meses. A Defesa indaga o porquê de ser determinada busca e apreensão contra o PP há 10 dias das eleições? Obviamente não havia necessidade e urgência para esta medida neste momento. Embora o Senador não seja alvo da medida de busca o prejuízo eleitoral é evidente. Mais uma vez enfrentamos a criminalização da politica, com o agravante que agora estamos em pleno processo eleitoral. Uma busca baseada em uma delação antiga, dentro de um inquérito aberto ha tanto tempo e determinada ha 10 dias das eleições é uma verdadeira intromissão do Poder Judiciário no processo eleitoral. A Defesa não se preocupa em absoluto com o que foi apreendido, mas denuncia o uso eleitoral que certamente se fara desta decisão judicial inoportuna, inadequada e desmedida neste momento. A criminalização da politica tem que ser enfrentada em nome da normalidade democrática.

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