PF faz buscas contra ex-deputado do DEM por propinas e desvios no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia

PF faz buscas contra ex-deputado do DEM por propinas e desvios no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia

Operação Talha tem como alvo o ex-deputado Francisco Floriano (DEM); agentes fazem buscas em oito endereços do Rio e de Brasília

Pepita Ortega e Fausto Macedo

09 de dezembro de 2020 | 07h48

O deputado Francisco Floraino. Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal no Rio deflagraram na manhã desta quarta-feira, 9, a Operação Talha, para investigar suposto desvio de recursos públicos no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (INTO).

A ofensiva mira o ex-deputado Francisco Floriano (DEM) sob suspeita de exigir propinas a pretexto de conseguir a liberação de recursos de emendas parlamentares para o INTO, sendo que os recursos eram posteriormente desviados pela organização criminosa desarticulada nas operações Fatura Exposta e Ressonância.

Cerca de 30 agentes da PF cumprem oito mandados de busca e apreensão, em residências e escritórios no Rio de Janeiro e em Brasília. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Durante as diligências, a PF apreendeu R$ 168,1 mil na casa de um assessor que seria ligado a Francisco Floriano.

Apreensão de R$ 168.100,00 realizada na residência de um dos assessores do alvo principal da operação Talha. Foto: Polícia Federal

As investigações que culminaram na Operação Talha tiveram início a partir de informações obtidas na Operação Fatura Exposta, que indicavam a atuação de uma organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos destinados a unidades de saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a PF, os investigadores encontraram ‘fortes indícios’ da atuação de um ex-deputado federal na nomeação de diretores do INTO, da influência direta do investigado em questões administrativas do hospital e até mesmo na marcação de exames e cirurgias de pessoas de seu interesse.

Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção passiva, previstos.

A Polícia Federal indicou que o nome dado a operação remete ao período do Feudalismo: “Talha era um tributo medieval pago pela exploração de propriedade senhorial, que consistia na entrega ao senhor feudal de uma parte dos produtos cultivados nos seus terrenos”.

Apreensão de R$ 168.100,00 realizada na residência de um dos assessores do alvo principal da operação Talha. Foto: Polícia Federal

Apreensão de R$ 168.100,00 realizada na residência de um dos assessores do alvo principal da operação Talha. Foto: Polícia Federal

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