PF faz buscas contra delegado bolsonarista por violação de sigilo, corrupção e associação criminosa

PF faz buscas contra delegado bolsonarista por violação de sigilo, corrupção e associação criminosa

Um efetivo de 35 agentes cumpre oito mandados de busca e apreensão o Delegado Federal Eguchi - que foi candidato à prefeitura de Belém nas últimas eleições - e seis empresários ligados à exploração ilegal de manganês que se beneficiado com vazamento de informações sobre uma investigação da PF

Pepita Ortega e Fausto Macedo

14 de julho de 2021 | 11h47

Operação Mapinguari. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta, 14, a Operação Mapinguari, para investigar um delegado da própria corporação que teria vazado informações sobre ofensiva que mirou uma organização criminosa dedicada à exploração ilegal de minério de manganês.

O principal alvo da operação é Everaldo Jorge Martins Eguchi, o Delegado Federal Eguchi, bolsonarista que foi candidato à prefeitura de Belém nas últimas eleições e que chegou ao segundo turno do pleito em 2020. A Justiça Federal ordenou o afastamento do delegado de suas funções.

Um efetivo de 35 agentes cumpre oito mandados de busca e apreensão contra delegado e seis empresários ligados à exploração ilegal de manganês do sudeste do Pará –  que teriam sido avisados, com antecedência, sobre a operação ocorrida em 2018. As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Marabá.

As diligências são realizadas em Belém, Marabá, Parauapebas e Goianésia. A ofensiva mira supostos crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva, corrupção ativa e associação criminosa.

De acordo com a PF, a investigação teve início de 2018 e trata de informações vazadas da Operação Migrador – apuração conduzida à época pela Delegacia de Polícia Federal de Marabá.

A corporação aponta que o vazamento prejudicou a apuração, considerando que ‘parte dos investigados tiveram conhecimento antecipado da ação policial, acarretando a não localização de alguns alvos no dia da deflagração da operação.

De acordo com o Ministério Público Federal, com o vazamento das informações, a PF não conseguiu cumprir, na época, mandados de prisão preventiva contra os suspeitos. A suspeita é que o delegado teria vazado as informações aos alvos em troca de financiamento para a campanha eleitoral. Em 2018 Eguchi foi candidato à deputado federal.

Em manifestação favorável à operação Mapinguari, o MPF apontou que eram graves os fatos relatados pela PF, que ‘indicam que o investigado tem se valido de sua função na Polícia Federal para alcançar fins ilícitos e ilegítimos, havendo ele se apropriado, de maneira pouco republicana, do aparelho estatal para privilegiar interesses próprios’.

Para a Procuradoria, o afastamento do delegado era necessário até para evitar que ele tente interferir nas investigações.

O nome da ofensiva, Mapinguari, faz referência a uma figura lendária protetora da floresta amazônica, diz a Polícia Federal.

COM A PALAVRA, O DELEGADO

A reportagem busca contato com o delegado federal Eguchi. O espaço está aberto para manifestações.

Operação Mapinguari. Foto: Polícia Federal

Operação Mapinguari. Foto: Polícia Federal

Operação Mapinguari. Foto: Polícia Federal

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