PF estoura ‘lei do silêncio’ em garimpo ilegal no Mato Grosso

PF estoura ‘lei do silêncio’ em garimpo ilegal no Mato Grosso

Operação Corrida do Ouro deflagrada nesta sexta-feira, 6, cumpriu mandados contra policiais civis, um oficial da reserva da PM e um vereador

Julia Affonso e Fausto Macedo

06 Novembro 2015 | 17h19

Foto: Reprodução

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A Polícia Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar de Mato Grosso desarticularam nesta sexta-feira, 6, um grupo especializado na extração e comércio de ouro do garimpo ilegal no município de Pontes e Lacerda, a 485 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso. A Operação Corrida do Ouro foi deflagrada também nas cidades de Cáceres e na capital do Estado.

Segundo nota divulgada pela PF, fazem parte do grupo policiais civis da ativa, um oficial da Polícia Militar da reserva e um vereador.

“Os agentes públicos utilizavam-se da qualidade de policiais para manter o domínio das atividades ilícitas no garimpo, através de todo tipo de intimidação, inclusive com o uso de armas de fogo contra pessoas que eventualmente contrariassem seus interesses”, informou a PF.

“Os membros da organização criminosa eram vistos com frequência por garimpeiros da região, circulando armados pelo garimpo. Destaca-se a existência dos chamados “buracos da polícia”, locais de extração de ouro dominados pelos membros da organização criminosa.”

A PF declarou que todos os agentes públicos envolvidos no esquema são ‘bastante conhecidos pela população local, muitos deles lotados na Delegacia de Polícia Civil em Pontes e Lacerda (MT) e região’.

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De acordo com a investigação, os integrantes do grupo estabeleceram a “lei do silêncio” no garimpo, criando enormes dificuldades à apuração.

A Justiça decretou 10 prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e conduções coercitivas em diversos endereços dos suspeitos, determinou bloqueio de contas e afastamento cautelar das funções públicas – no caso dos policiais investigados que estão na ativa. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em Cáceres (MT).

Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extração e comércio de matéria-prima pertencentes à União sem autorização legal e execução de lavra ou extração de recursos minerais sem autorização. As penas máximas dos crimes somadas podem chegar a 20 anos de prisão.