PF vai à sede do BNDES, no Rio

PF vai à sede do BNDES, no Rio

Policiais vão solicitar à presidência do banco uma relação de cópias de contratos que estão sob investigação

Andreza Matais, Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

24 Novembro 2015 | 09h21

Foto: Fábio Motta/Estadão

Sede do BNDES. Foto: Fábio Motta/Estadão

Atualizada às 13h36

A Polícia Federal foi para a sede do BNDES, no Rio de Janeiro como parte das ações da 21 ª etapa da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, 24. Os policiais chegaram por volta das 7h e ficaram cerca de meia hora, segundo relato dos funcionários do banco. Eles foram solicitar à presidência da instituição uma relação de cópias de contratos que estão sob investigação da Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato.

Assim como ocorreu na Petrobrás, no início da Lava Jato, não se trata de cumprimento de busca e apreensão dos documentos. A solicitação ocorre na tentativa de que o banco colabore com as investigações.

Esta é a primeira vez que a Operação Lava Jato alcança o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que já é alvo de uma CPI da Câmara dos Deputados. Caso haja resistência, o juiz Sérgio Moro pode deferir um pedido de apreensão dos documentos.

Nesta nova etapa da Lava Jato, o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai foi preso em Brasília. Ele prestaria depoimento à CPI do BNDES hoje.

Segundo a PF, 140 policiais federais e 23 auditores fiscais cumprem 25 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e 6 mandados de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor – nas cidades de São Paulo, Lins (SP), Piracicaba (SP), Rio de Janeiro, Campo Grande (MS), Dourados (MS) e Brasília.

A força-tarefa da Operação Lava Jato mira em financiamentos concedidos pelo BNDES a empresas do pecuarista José Carlos Bumlai. São alvos da investigação a São Fernando Açúcar e Álcool e a São Fernando Energia 1, empresas sob administração dos filhos do amigo do ex-presidente Lula.

A São Fernando Açúcar e Álcool foi beneficiária de um primeiro empréstimo, no montante de R$ 64 milhões, em fevereiro de 2005, quatro meses depois do empréstimo de R$ 12 milhões concedido pelo Banco Schahin a Bumlai – dinheiro que teria sido destinado ao PT, segundo a investigação.

“A Receita constatou que a empresa estava inativa na época, não tinha empregado, nem receita operacional quando ocorreu o primeiro empréstimo”, assinala o procurador da República Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa do Ministério Público Federal.

Em 2008 foi realizado um segundo empréstimo em favor da São Fernando Açúcar e Álcool, no valor de R$ 350 milhões. “Naquele ano já havia pedido de falência dessa empresa, já havia sido protocolado pedido de falência contra a São Fernando Açúcar e Álcool”, informou o procurador.

Em 2013, ainda de acordo com a Lava Jato, a São Fernando Açúcar e Álcool entrou em recuperação. Os investigadores relatam que, em agosto de 2015, o BNDES pediu falência da empresa, com dívidas acumuladas de mais de R$ 1 bilhão.  A dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, segundo os investigadores, chega a R$ 400 milhões, ‘créditos foram sendo concedidos e não pagos ao longo do tempo’.

A outra empresa de Bumlai, a São Fernando Energia, consta na base de dados da Receita como beneficiária de novo aporte do BNDES, em 2012, no valor de R$ 104 milhões. “Em 2012, (a São Fernando Energia) contava com apenas 7 funcionários. Ela dá um aporte no capital social de R$ 10 mil para R$ 30 milhões e começa a ter atividade operacional. Os fatos ainda estão sob investigação, por isso a diligência de hoje para obtenção de contratos no próprio BNDES. Temos que saber se a liberação desse crédito seguiu as normas.”/ COLABOROU CONSTANÇA REZENDE

Mais conteúdo sobre:

BNDESoperação Lava Jato