PF encontra chaves de criptografia da pasta de propinas da Odebrecht

PF encontra chaves de criptografia da pasta de propinas da Odebrecht

Quatro senhas estavam armazenadas em um pen drive apreendido na casa do ex-vice Jurídico da empreiteira, Maurício Ferro, preso nesta quarta, 21, em São Paulo, na fase 63 da Operação Lava Jato por suspeita de ligação com repasses aos ex-ministros Palocci e Mantega

Pedro Prata, Pepita Ortega e Fausto Macedo

21 de agosto de 2019 | 13h07

Durante a deflagração da Operação Carbonara Chimica, 63.ª fase da Lava Jato, nesta quarta, 21, a Polícia Federal encontrou na residência do ex-vice-presidente Jurídico da Odebrecht Maurício Ferro quatro chaves de criptografia que podem dar acesso a pastas da Planilha do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht que até então estão inacessíveis para o Ministério Público. O Setor de Operações Estruturadas era o departamento de propinas da empreiteira.

‘Nós tivemos acesso, até agora, a uma parte do sistema que não estava criptografada. Agora, podemos ter acesso a novos arquivos nos quais pode haver detalhamento de pagamentos mais recentes que podem levar a novas investigações e ações penais’, disse o delegado Luciano Flores de Lima, superintendente regional da Polícia Federal no Paraná.

Maurício Ferro foi preso nesta quarta, 21, na fase 63 da Lava Jato. A ordem de prisão temporária de Ferro, por cinco dias, foi decretada pelo juiz Luiz Antonio Bonat, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Ferro é o único executivo da empreiteira que não fechou acordo de delação premiada com a Lava Jato, informou o superintendente. Ao todo, 77 executivos da empreiteira decidiram colaborar com a Justiça e revelaram uma rotina de pagamentos de propinas a políticos e agentes públicos.

Segundo Flores, as chaves apreendidas na casa de Ferro já eram objeto de buscas em operações anteriores. Informações obtidas em colaborações apontavam que o ex-jurídico da Odebrecht poderia estar de posse delas.

‘Esses dados serão analisados e entregues para o Ministério Público, inclusive para a verificação do crime de obstrução de Justiça’, disse o delegado da PF.

Cerca de 40 Policiais Federais participam da ação e cumprem ainda 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo e na Bahia. Foto: PF/Divulgação

‘Investimento no ramo da legislação’

A Operação Carbonara Chimica, fase 63 da Lava Jato deflagrada nesta quarta, 21, investiga os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à edição das medidas provisórias (MPs) 470 e 472, em 2009, no Governo Lula, que concederam o direito de pagamento dos débitos fiscais do imposto sobre produtos industrializados (IPI) com a utilização de prejuízos fiscais de exercícios anteriores.

‘O grupo investigado resolveu investir no ramo de legislação. Fez investimento milionário na compra de MPs para ter um retorno bilionário’, afirma Luciano Flores.

A Justiça Federal decretou o bloqueio de R$ 555 milhões das contas dos três alvos da nova fase da operação – Maurício Ferro, o advogado Nilton Serson e Bernardo Gradin, ex-presidente da Braskem.

‘Este valor está ligado ao prejuízo efetivo decorrente da edição das MPs’, disse o procurador regional da República Antônio Carlos Welter.

A investigação aponta o repasse de pelo menos R$ 118 milhões aos ex-ministros da Fazenda Antônio Palocci (Governo Lula) e Guido Mantega (Governo Lula).

De acordo com a PF, Guido Mantega tinha o codinome de ‘Pós-Itália’ em planilha da Odebrecht. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A PF indicou que o nome da operação, Carbonara Chimica, remete aos codinomes dos investigados na planilha de propinas da Odebrecht – ‘Italiano’ e ‘Pós-Itália’. O primeiro se referia a Antônio Palocci e o outro a Guido Mantega.

De acordo com a PF, Guido Mantega tinha o codinome de ‘Pós-Itália’ em planilha da Odebrecht. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Ainda, o termo ‘Chimica’ refere-se à Braskem, braço químico do grupo Odebrecht.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA FÁBIO TOFIC SIMANTOB, QUE DEFENDE MANTEGA

O advogado Fábio Tofic Simantob, que defende o ex-ministro Guido Mantega, foi taxativo. “Esta operação é muito importante para a defesa de Guido Mantega porque vai ajudar a provar que ele nunca recebeu um centavo da Odebrecht ou de quem quer que seja.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO GUSTAVO BADARÓ, QUE DEFENDE MAURÍCIO FERRO

Nota da defesa de Maurício Ferro

A defesa de Maurício Ferro recebeu com surpresa a notícia da prisão temporária. A decisão não traz nenhum fato novo. Já foi apresentada reposta neste processo, esclarecendo todos os fatos da denuncia. Suas contas no exterior são declaradas desde 2016. Maurício Ferro irá prestar todos os esclarecimentos e confia que sua prisão será revogada pela Justiça.

Gustavo Badaró
Advogado – OAB 124.445/SP.

COM A PALAVRA, A BRASKEM

“A Braskem afirma que tem colaborado e fornecido informações às autoridades competentes como parte do acordo global assinado em dezembro de 2016, que engloba todos os temas relacionados à Operação Lava Jato. A empresa vem fortalecendo seu sistema de conformidade e reitera seu compromisso com a atuação ética, íntegra e transparente.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DO ADVOGADO NILTON SERSON

A reportagem busca contato com a defesa de Nilton Serson. O espaço está aberto para manifestação.

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