PF em São Paulo investiga diretores de corretora de seguros por gestão fraudulenta e desvios de R$ 28 milhões

PF em São Paulo investiga diretores de corretora de seguros por gestão fraudulenta e desvios de R$ 28 milhões

Operação Canal Seguro faz buscas em São Paulo, Rio e Brasília contra organização criminosa que vitimou corretora que detém exclusividade na venda de seguros anunciados por empresa pública federal; Justiça bloqueou mais de R$ 27 milhões em bens

Redação

26 de novembro de 2020 | 08h01

Operação Canal Seguro. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal em São Paulo deflagrou na manhã desta quinta, 26, a 13ª fase da Operação Descarte, denominada Canal Seguro para investigar uma organização criminosa dedicada à gestão fraudulenta e ao desvio de valores de instituição financeira, além de crimes contra a ordem tributária e lavagem de ativos. O grupo atuava em uma corretora de seguros que detém exclusividade na venda de seguros anunciados por empresa pública federal, diz a PF.

A ofensiva cumpre 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 27 milhões dos investigados, além do sequestro de um apartamento no Rio de Janeiro, avaliado em R$ 5,5 milhões.

Além disso, três diretores da corretora de seguros diretamente envolvidos nas fraudes investigadas tiveram a suspensão do exercício da atividade de natureza econômica ou financeira decretada.

Os investigadores apontam que, entre 2014 e 2016, o trio praticado atos de gestão fraudulenta e desviado valores que podem chegar a R$ 28.300.069,21, mediante diversas transferências a título de pagamento por prestação de serviços, superfaturados ou que na verdade não foram realizados.

Em coletiva, a Polícia Federal informou que apreendeu R$ 185 mil, 9 mil euros e quase 3 mil dólares em endereço de Brasília ligado a um dos diretores sob suspeita. No local também foram encontrados veículos que estão em nome de uma das empresas sob suspeita de lavarem as propinas do grupo.

 

Foto: Divulgação

A investigação contou com a participação da Receita Federal e do Ministério Público Federal e teve início a partir de provas produzidas no âmbito da Operação Descarte e seus desdobramentos – Chiaroscuro, Checkout, E o Vento Levou e Chorume.

As mais recentes etapas da Descarte, a ‘Silício’ e a ‘Macchiato’, foram abertas há menos de um mês. A primeira investigou supostos crimes de sonegação fiscal, corrupção, lavagem de capitais, fraude em licitação e evasão de divisas envolvendo a Ceitec, estatal de tecnologia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Já a Macchiato mirou crimes contra o Sistema Financeiro Nacional relacionados ao banco BMG.

Segundo a Receita, a corretora de seguros alvo da Operação ‘Canal Seguro’ é investigada por ter contratado a organização criminosa descoberta na primeira fase da Operação Descarte para supostamente prestar serviços jurídicos que não teriam sido realizados.

“O valor pago pelos supostos serviços era então devolvido pela organização criminosa em espécie, para pagamento a beneficiários ainda não identificados. Nessa operação, também teriam participado um lobista de Brasília e o presidente da corretora de seguros. A corretora alvo da operação tem como acionista minoritário um banco público. O nome dessa fase faz referência à atividade e ao meio de distribuição dos produtos da corretora”, explicou o Fisco.

Os auditores federais informaram ainda que lavraram autos de infração na Operação Canal Seguro que chegam a R$ 17,17 milhões.

O fisco afirmou ainda ter identificado algumas das camadas de lavagem pelas quais as propinas teriam passado. Dentre as pessoas jurídicas relacionadas aos diretores da corretora estão uma empresa patrimonial, uma empresa de intermediação de negócios e dois restaurantes, indicou a Receita.

Operação Canal Seguro. Foto: Polícia Federal

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