PF é recebida a tiros por empresário preso por suspeita de fraude em Manaus

PF é recebida a tiros por empresário preso por suspeita de fraude em Manaus

Alisson Castro, especial para o Estadão e Pepita Ortega

02 de junho de 2021 | 11h41

Atualizada às 15h01*

Quarta fase da Operação Sangria. Foto: Polícia Federal

Empresário alvo da quarta fase da Operação Sangria em Manaus, Nilton Costa Lins Junior recebeu a Polícia Federal a tiros na manhã desta quarta-feira, 2, durante cumprimento de mandados em sua residência no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus. O proprietário do Hospital Nilton Lins, usado como Hospital de Campanha pelo governo do Amazonas para receber pacientes acometidos de covid-19, foi alvo de busca e apreensão e de uma ordem de prisão temporária.

O incidente do tiro foi comentado pela subprocuradora da República Lindôra Maria Araújo em sessão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) realizada nesta manhã. Entre os processos em pauta na Corte Especial do STJ estava uma das duas denúncias apresentadas contra Wilson Lima, por irregularidades na compra de respiradores para tratar pacientes infectados pelo novo coronavírus, mas o caso foi retirado de pauta.

“Só queria deixar isso comunicado tendo em vista que foi uma operação de busca e apreensão e também prisões porque ocorreu pela manhã e houve um tiroteio. Foi a primeira vez que eu, em 30 anos, vi ocorrer, alguém receber numa busca e apreensão. […] Foi uma situação muito suis generis, nunca tinha visto acontecer”, ponderou Lindôra.

O presidente do STJ, ministro Humberto Martins, disse lamentar a situação e afirmou que ‘providências serão tomadas de forma rígida porque as questões que envolvem matéria penal devem ser resolvidas no campo do recursos necessários, estabelecidos pela lei e pela Constituição’. “Nós estamos na época do regime democrático de direito”, registrou.

Ninguém ficou ferido e o mandado de prisão temporária contra o empresário foi cumprido. O investigado é da família das gêmeas Gabrielle e Isabelle Kirk Lins, que são investigadas por suspeita de furar a fila da vacinação contra a covid-19 no Amazonas.

Sobre o incidente do tiro, o advogado da família de Nilton Lins argumentou que foi um tiro para cima como sinal de advertência e foi feito porque a família foi alvo de um assalto em outubro do ano passado. Na época, bandidos fizeram a família refém e o empresário pensou que se tratava de novo assalto a sua casa.

Nilton Lins Junior é um dos alvos da investigação sobre supostas fraudes e superfaturamento em contrato para instalação de hospital de campanha no Amazonas. A ofensiva que mira supostos crimes de organização criminosa, fraude a licitação e desvio de recursos públicos envolvendo empresários e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do Estado também fez buscas na casa e no gabinete do governador Wilson Lima e tenta executar uma ordem de prisão contra o secretário de Saúde, Marcellus Campelo.

Ao todo, agentes cumprem seis mandados de prisão temporária e vasculham 19 endereços em Manaus (AM) e em Porto Alegre (RS). As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça, que ainda autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 27 pessoas e empresas e determinou o sequestro de bens de 12 investigados, em valor que supera R$ 22,8 milhões.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS DE NILTON COSTA LINS JUNIOR

Sobre a operação e o cumprimento de mandados judiciais realizados, na manhã desta quarta-feira (2), em Manaus, os advogados do empresário Nilton Lins Júnior vêm a público informar:

Por conta de um assalto sofrido anteriormente em sua residência, o empresário Nilton Lins Júnior pensou se tratar de uma nova ocorrência semelhante e disparou dois tiros de alerta dentro de casa. Não houve feridos e a situação foi prontamente esclarecida diante das autoridades presentes;

O empresário não se dirigiu a nenhum local e permaneceu em sua casa durante toda a manhã acompanhando o desdobramento dos fatos;

Desde sempre, o Grupo Nilton Lins segue firme na disposição em colaborar para o esclarecimento dos fatos perante os órgãos e entidades competentes.

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