PF diz que versões de filho de Lula e de lobista ‘se mostram contraditórias e vazias’

PF diz que versões de filho de Lula e de lobista ‘se mostram contraditórias e vazias’

Ao pedir à Justiça Federal autorização para novas buscas na Operação Zelotes, delegado argumentou que medida é 'fundamental' para coleta de mais provas no endereço do casal Mauro e Cristina Marcondes

Andreza Matais, de Brasília e Julia Affonso, de São Paulo 

24 Novembro 2015 | 20h51

Luís Cláudio Lula da Silva,  filho do ex-presidente Lula. Foto: Paulo Pinto/Estadão

Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. Foto: Paulo Pinto/Estadão

A Justiça Federal autorizou novas buscas e apreensões em endereços do casal de lobistas Mauro e Cristina Marcondes com o objetivo de permitir o aprofundamento das investigações sobre contratos de R$ 2,4 milhões feitos entre a Marcondes & Mautoni Consultoria e a LFT Marketing Esportivo, que tem como sócio Luís Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nova fase da Operação Zelotes, deflagrada ontem, a Justiça também aceitou novo pedido de prisão dos lobistas e de um comparsa acusado de envolvimento no esquema de compra de medidas provisórias e de espionagem de um dos investigadores.

A Polícia Federal argumentou para a Justiça que a nova busca e apreensão era “fundamental” para “a coleta de mais elementos para aprofundarmos as investigações acerca da contratação da empresa LFT Marketing Esportivo e outros contratos escusos”. Em ofício, o delegado Marlon Cajado sustentou que as versões apresentadas por Luís Claudio e Marcondes para os contratos “se mostram contraditórias e vazias ao ponto de ao invés de elucidar os reais motivos de pagamentos da Marcondes Mautoni para a LFT, na verdade serviu para gerar mais celeuma, já que não há uma definição precisa sobre quais e quanto serviços foram de fato contratados, qual eram os reais objetos de estudos e ao que eles se destinavam e qual é a relação deles com o projeto de um centro de convenções, e a inexistência, tanto na sede da Marcondes quanto na da LFT Marketing Esportivo de documentação comprobatória que desse mínimo lastro ao serviço contratado”.

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Em nota divulgada nesta segunda-feira, 23, a defesa de Luís Claudio afirmou que o depoimento dele “concentrou-se em fatos. Não em declarações contraditórias e vazias, como se quer fazer crer agora.”  O Estado não conseguiu contato com a defesa do casal Marcondes.

O relatório da PF também reforçam as suspeitas de compra da Medida Provisória 471/2009, que prorrogou incentivos fiscais para montadoras de veículos. O lobista Francisco Mirto Florêncio da Silva foi preso ontem acusado de envolvimento com o esquema de corrupção. Ele também é acusado ao lado do casal Marcondes de ter contratado uma investigação clandestina para espionar o procurador José Alfredo de Paula Silva, que atua na Zelotes. Um registro encontrado pela Zelotes indica que o fato ocorreu em 2010, mesmo ano em que o procurador investigava as negociações para a compra de 36 caças para a FAB pelo governo Lula.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LUÍS CLAUDIO CLAUDIO LULA DA SILVA

Os advogados de Luís Cláudio Lula da Silva vêm a público reiterar que seu cliente prestou, em 4/10, esclarecimentos ao Delegado de Polícia Federal Marlon Cajado – que preside os inquéritos da “Operação Zelotes” – e forneceu sólidos fundamentos que permitem afastar as suspeitas que foram de forma injusta e precipitada lançadas sobre a prestação de serviço executada por sua empresa, a LFT Marketing Esportivo, à Marcondes & Mautoni. O depoimento concentrou-se em fatos. Não em declarações contraditórias e vazias, como se quer fazer crer agora.

Depois de sete meses de investigação, a PF não havia atribuído a Luís Claudio qualquer conduta ilícita no relatório apresentado à Justiça. Na instauração do inquérito, na Portaria correspondente, também não há qualquer descrição de conduta irregular de nosso cliente. O que existe é a mera ilação do Ministério Público, como apontou a Desembargadora Nilza Alves, que considera “suspeito” o recebimento de valores da Marcondes & Mautoni. Nada mais. A razão desse recebimento já foi apresentada.

A LFT jamais teve qualquer relação, direta ou indireta, com o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A simples observação da data de sua constituição basta para afastá-la de qualquer envolvimento com as suspeitas levantadas de relação espúria com os fatos investigados no âmbito da Operação. A LFT foi constituída em 2011 e a prestação de serviços da LFT para a Marcondes & Maltoni ocorreu entre 2014 e 2015 – mais de 5 anos depois da edição da MP 471 e sua atuação está restrita ao âmbito de marketing esportivo.

Luís Cláudio con?rmou:

  1. Ter prestado serviços para a M&M, através da LFT e informou ter chegado a essa empresa quando procurava patrocínio no setor da indústria automobilística, medida necessária pela perda do patrocínio da Hyundai, após 2 anos de participação no “Torneio Touchdown”. Registrou nunca ter tido, até então, nenhum contato com o Sr. Mauro Marcondes e que foi no campo estritamente pro?ssional a natureza da relação que se estabeleceu;
  2. A existência de contratos entre a LFT e a M&M, o que ?cou provado pelo confronto com material de informática apreendido pela PF, quando da busca e apreensão nesta última empresa. Ao ?nal dos trabalhos, foram entregues relatórios sobre cada um dos projetos elaborados. Luís Cláudio ressalvou que os trabalhos eram originais dentro de sua área de atuação, demandando horas de pesquisa, avaliações setoriais e elaboração propriamente dita. O foco, em grande parte, estava relacionado à Copa do Mundo FIFA 2014 e às Olimpíadas 2016. O material foi colocado à disposição da PF no dia 4/10 e efetivamente entregue, por seus advogados, na Superintendência de São Paulo, no dia seguinte ao depoimento;
  3. Ter recebido pagamentos – e não repasses – da Marcondes & Mautoni entre junho de 2014 e março de 2015, à medida que os trabalhos contratados foram executados. Disse que todos os valores foram declarados à Receita Federal e que houve a emissão de notas ?scais, com os devidos impostos recolhidos. Informou também que já usou parte substancial para viabilizar o “Torneio Touchdown” e continuará a dispor do capital para essa ?nalidade, porque acredita no negócio e no seu potencial de desenvolvimento no País.
  4. Mostrou que sua expertise não se restringe à formação superior em Educação Física, mas tem lastro na prestação de serviço, por 5 anos ininterruptos, em 4 dos mais destacados clubes de futebol do País – São Paulo Futebol Clube, Sociedade Esportiva Palmeiras, Santos Futebol Clube e Sport Club Corinthians Paulista. Já como proprietário da LFT Marketing Esportivo, nosso cliente prestou, por cerca de 2 anos, assessoria ao Corinthians, trabalho que teve por objeto, dentre outras frentes, o desenvolvimento do esporte amador e a captação de patrocínio privado. Ele mencionou também a experiência de organização, nos últimos 4 anos, de um campeonato nacional de futebol americano, conhecido como “Torneio Touchdown”. Desta liga participam, dentre outros, os seguintes times: Flamengo, Botafogo, Vasco da Gama, Santos, Portuguesa e Corinthians;
  5. A LFT não tem corpo de funcionários no regime CLT e, para os trabalhos em questão, não houve subcontratação ou terceirização de outras empresas, o que poderia ter ocorrido, se houvesse a implementação dos projetos ofertados.

Se havia alguma dúvida, o depoimento – como o ocorrido e relatado – mostra-se su?ciente para superá-la e afastar a existência de qualquer ilegalidade. As suspeitas, estas sim, são vazias. De qualquer forma, Luís Cláudio sempre colaborou e continuará a colaborar com as autoridades.