PF diz que Sérgio Machado ‘não merece’ benefícios da delação

PF diz que Sérgio Machado ‘não merece’ benefícios da delação

Em relatório de 59 páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal, delegada Graziela Machado da Costa e Silva sustenta que a colaboração do ex-presidente da Transpetro 'mostrou-se ineficaz'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Luiz Vassallo

21 Julho 2017 | 20h01

Sérgio Machado. Foto: Tasso Marcelo/Agência Estado

A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado ‘não merece’ os benefícios da delação premiada. Em relatório de 59 páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal, a delegada Graziela Machado da Costa e Silva desqualificou a colaboração de Machado que, para se livrar da prisão, gravou conversas com os caciques do PMDB, os senadores Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney (AP), nas quais predominou suposta tentativa de obstrução da Operação Lava Jato.

PF diz que Jucá, Renan e Sarney não obstruíram a Lava Jato

“No que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instauração mostrou-se ineficaz, não apenas quanto à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados, resumidos estes a diálogos gravados nos quais é presente o caráter instigador do colaborador quanto às falas que ora se incriminam”, assinalou Graziela.

NO BLOG AGORA: + Deltan ironiza Temer: ‘É claro que os brasileiros vão compreender’

Moro nega a ‘honrado’ audiência reservada com advogados

Dallagnol diz que penas aplicadas por Moro ‘são brandas’

Para a delegada federal ‘entende-se, desde a perspectiva da investigação criminal promovida pela Polícia Federal, não ser o colaborador merecedor de benefícios processuais abrigados no artigo 42 da Lei 12.850/13’

Machado entregou em maio de 2016 à Procuradoria-Geral da República as gravações dos encontros com Renan, Jucá e Sarney.

Nessas reuniões, os senadores e o ex-presidente teriam demonstrado intenção de tramar contra a Lava Jato. Jucá sugeriu ‘estancar a sangria’, em referência à maior operação já desencadeada no País contra a corrupção.

Em troca da delação, Machado se livrou da Lava Jato e não sofreu punições.