PF diz que Robinson tentou comprar silêncio de delator da Dama de Espadas

PF diz que Robinson tentou comprar silêncio de delator da Dama de Espadas

Governador do Rio Grande do Norte é alvo da Operação Anteros, deflagrada nesta terça-feira, 15, por suspeita de ligação com esquema de funcionários fantasmas que desviou da Assembleia Legislativa do Estado cerca de R$ 5 milhões entre 2006 e 2015

Fabio Fabrini, Julia Affonso e Luiz Vassallo

15 Agosto 2017 | 12h54

Robinson Faria. Foto: Divulgação

A Polícia Federal suspeita que o governador do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD) teria tentado ‘comprar o silêncio’ de um delator da Operação Dama de Espadas – ionvestigação sobre suposto esquema de funcionários fantasmas que desviou da Assembleia Legislativa do Estado aproximadamente R$ 5 milhões, entre 2006 e 2015.

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O governador foi alvo de buscas, nesta terça-feira, 15, na Operação Anteros, deflagrada pela PF por ordem do ministro Raul Araújo Filho, da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. A PF fez inspeções na residência de Robinson, na sede do Governo do Rio Grande do Norte e na Assembleia.

Dois auxiliares de confiança de Robinson, funcionários do Legislativo, são alvo de mandados de prisão temporária.

Por meio de seu advogado, o criminalista José Luís Oliveira Lima, o governador negou enfaticamente envolvimento com irregularidades.

Na época da Dama de Espadas, foi presa a procuradora da Assembleia, Rita das Mercês, apontada como ‘organizadora’ do esquema na Casa. Ela ficou presa por alguns dias e acabou solta por força de habeas corpus. Rita e mais 23 investigados são réus em ação criminal na Justiça de Natal.

As buscas da PF alcançaram dois imóveis do governador na Operação Anteros, que o investiga por crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça.

Em nota, a PF informou que cerca de 70 policiais foram mobilizados para cumprir 11 medidas judiciais, sendo 2 de prisão e 9 de buscas e apreensão. Todos os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça.

Segundo a PF, as manobras ilegais tinham por objetivo encobrir que fossem investigados atos do executivo estadual relativos ao desvio de recursos públicos por meio da inclusão de ‘funcionários fantasmas’ na folha de pagamento da Assembleia Legislativa.

COM A PALAVRA, O GOVERNADOR ROBINSON

Em nota, o advogado criminalista José Luís Oliveira Lima, defensor do governador do Rio Grande do Norte, negou enfaticamente envolvimento de Robinson Faria em ‘qualquer irregularidade’.

“O governador Robinson Faria nega veementemente a prática de qualquer irregularidade durante seu mandato de deputado estadual, encerrado em 2010 e reforça que sempre esteve à disposição para prestar qualquer esclarecimento.”

“Apesar de não concordar com a diligência realizada nesta data, tem profundo respeito pela Justiça e confia no rápido restabelecimento da verdade.”

“Até o momento a defesa não teve acesso aos autos.”

José Luis Oliveira Lima, advogado

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