PF diz que ‘Ninguém durma’ é alerta para corruptos

Delegado Igor Romário de Paula, da força-tarefa que investiga esquema de propinas na Petrobrás e na Eletronuclear, diz que Lava Jato não perdeu força

Redação

21 de setembro de 2015 | 12h39

Foto: PF

Foto: PF

Por Ricardo Brandt, Andreza Matais e Julia Affonso

A Polícia Federal disse que o nome da nova etapa da Operação Lava Jato, ‘Ninguém durma’, serve de alerta para aqueles que imaginam que as investigações perderam a força. “Fica a dica para quem achava que a Lava Jato diminuiu suas ações e um alerta para quem está envolvido em crime de corrupção no País”, declarou o delegado Igor Romário de Paula, diretor da unidade de combate ao crime organizado da PF em Curitiba, base da missão Lava Jato.

A PF deflagrou na manhã desta segunda-feira, 21, a Operação ‘Ninguém durma’ para cumprir onze mandados judiciais, entre os quais um de prisão preventiva do executivo José Antunes Sobrinho, sócio da empreiteira Engevix, e outro de prisão temporária de João Augusto Henriques, apontado como lobista do PMDB na Diretoria de Internacional da Petrobrás, gestão de Jorge Luiz Zelada. Henriques teria operado o repasse de US$ 10,8 milhões em propinas para o PMDB, segundo o Ministério Público Federal.

‘Tudo foi originado na Casa Civil do governo Lula’, afirma procurador

A PF diz que a nova etapa da Lava Jato é ‘rescaldo’ de três outras fases da investigação, entre elas a Pixuleco 2, deflagrada em meados de agosto com a prisão de Alexandre Romano, o Chambinho, ex-vereador do PT em Americana (SP). Essa investigação cita a senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) como suposta benefíciária de propinas em negócio relativo a empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. Por isso, o juiz federal Sérgio Moro enviou ao Supremo os dados da Pixuleco 2. O STF, até agora, não decidiu pelo desmembramento da investigação, travando as apurações sobre empresários e lobistas que não têm foro privilegiado.

Lava Jato mira em contas de almirante da Eletronuclear no exterior

PF rastreia ‘movimentações financeiras suspeitas’ de Palocci e alvos da Lava Jato

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa do Ministério Público Federal, disse que os dados relativos à Operação Pixuleco 2 estão sob apreciação do Supremo Tribunal Federal (STF), por isso a Lava Jato não pode dar continuidade imediatamente a essa investigação específica.

“Queremos deixar bem claro que a Lava Jato vem trabalhando incessantemente”, declarou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. “O material relativo à Pixuleco 2 encontra-se numa situação de competência do Supremo Tribunal Federal e, por isso, não podemos dar continuidade nas investigações na Pixuleco 2. Talvez isso tenha criado uma dificuldade grande e deu a impressão de que a Lava Jato estava perdendo força.”

COM A PALAVRA, CARLOS KAUFFMANN

1. José Antunes Sobrinho foi preso nesta data pelos mesmos fatos que originaram o processo criminal no âmbito da Eletronuclear, sobre os quais ele espontaneamente prestou esclarecimentos às autoridades competentes;

2. Causa perplexidade que a prisão tenha sido decretada durante a vigência do prazo de sua defesa, sem que tenha surgido prova ou fato novo que a justificasse;

3. Há vários meses o Grupo Engevix está colaborando com a Controladoria Geral da União – CGU, visando celebração de acordo de leniência, conforme previsto em lei.

4. José Antunes Sobrinho não procurou qualquer testemunha para produzir, ocultar ou alterar prova. Ao contrário, foi procurado por Vitor Colaviti, em julho passado, antes de saber que havia investigação, e se negou a discutir o tema;

5. A história profissional de José Antunes Sobrinho e de sua atuação perante a Eletronuclear estão detalhadas na defesa já apresentada para o Juiz Sergio Moro, cujo teor ainda não foi apreciado.

Carlos Kauffmann

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoPolícia Federal

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.