PF diz que não avisou ministro sobre Omertà, que prendeu Palocci

PF diz que não avisou ministro sobre Omertà, que prendeu Palocci

Delegado Igor Romário de Paula, da força-tarefa da Lava Jato, afirma que corporação apenas 'sugere' ao titular do Ministério da Justiça que 'não se ausente de Brasília' em dia de operação especial; no domingo, Alexandre de Moraes declarou que ia ter Lava Jato 'essa semana'

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

26 de setembro de 2016 | 10h51

Alexandre Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Alexandre Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo. Foto: Hélvio Romero/Estadão

A Polícia Federal afirmou nesta segunda-feira, 26, que não avisou com antecedência o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, sobre a deflagração da Operação Omertà, que prendeu o ex-ministro Antonio Palocci, o ‘Italiano’ (Governos Lula e Dilma).

Neste domingo, 25, em Ribeirão Preto, o ministro afirmou que o governo não vai emparedar a Lava Jato. Ele declarou publicamente que ‘quinta (22) teve uma (operação), sexta (23) teve outra, essa semana vai ter’.

Em meio à repercussão de que suas palavras poderiam significar um vazamento dos novos passos da Lava Jato, Moraes esclareceu que fez a referência de forma genérica, sem especificação a nenhum desdobramento da maior operação contra a corrupção já realizada no País.

Nesta segunda, a PF deflagrou a Operação Omertà, que prendeu o mais poderoso ministro dos governos Lula e Dilma.

Segundo o delegado da PF Igor Romário de Paula, da força-tarefa da Lava Jato, a corporação ‘adotou o mesmo padrão de compartimentação e cuidado com informação que caracterizam as quase 500 operações deflagradas este ano’.

O delegado leu nota oficial. “Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento do seu conteúdo. Da mesma forma, as datas de desencadeamento de operações especiais de Polícia Judiciária são acompanhados apenas pelos responsáveis pela coordenação operacional”, destacou Igor Romário.

O delegado disse que ‘como foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o ministro da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais’.

“No entanto, é sugerido ao seu titular que não se ausente de Brasília nos casos que possam demandar sua atuação, não informando sobre os detalhes da operação.”

O delegado finalizou. “A Polícia Federal reafirma sua atuação de acordo com o Estado democrático de direito.”

A ÍNTEGRA DA NOTA

Em relação à 35ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal esclarece que adotou o mesmo padrão de compartimentação e cuidado com a informação que caracterizaram as quase 500 operações deflagradas este ano.

Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento de seu conteúdo.

Da mesma forma, as datas de desencadeamento das operações especiais de polícia judiciária são acompanhadas apenas pelos responsáveis pela coordenação operacional.

Como já foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais. No entanto, é sugerido ao seu titular que não se ausente de Brasília nos casos que possam demandar sua atuação, não sendo informado a ele os detalhes da operação.

A Polícia Federal, instituição do Estado brasileiro, reafirma sua atuação de acordo com o Estado Democrático de Direito.

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