PF diz que gerente foi ‘cooptado’ por doleiros para esquema de lavagem

PF diz que gerente foi ‘cooptado’ por doleiros para esquema de lavagem

Investigado no âmbito da fase 66 da Lava Jato, o ex-funcionário do Banco do Brasil, José Eiras, teria atuado diretamente com os doleiros Raul Sprou, Nelma Kodama e Carlos Arturo Júnior

Pepita Ortega

27 de setembro de 2019 | 15h45

 

Polícia Federal realiza oito buscas no âmbito da Lava Jato 66. Foto: Reprodução / Polícia Federal

Segundo a Polícia Federal, o ex-gerente do Banco do Brasil, José Eiras, teria sido ‘cooptado’ para atuar em favor de ‘operadores do mercado de câmbio negro’ e atuou diretamente com os doleiros Raul Sprou, Nelma Kodama e Carlos Arturo Júnior, o ‘Arturito’. Na manhã desta sexta, 27, a Polícia Federal deflagrou a Operação ‘Alerta Mínimo’, 66ª fase da  Lava Jato, para apurar o envolvimento de Eiras e de outros três gerentes do Banco na lavagem de mais de R$ 200 milhões.

A mando da juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), agentes federais cumpriram nesta manhã oito mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP – 7) e em Natal (RN – 1).

Segundo o Ministério Público Federal, os gerentes teriam facilitado ‘centenas de operações de lavagem de dinheiro entre os anos de 2011 e 2014’, sendo que parte do dinheiro teria sido convertido para o pagamento de propinas.

De acordo com a Polícia Federal, um doleiro investigado teria produzido pelo menos R$ 110 milhões, em espécie, para viabilizar as vantagens indevidas.

Nos despachos que desencadearam a operação, Gabriela Hardt relata trechos da representação enviada ao juizo da 13ª Vara de Curitiba. A PF anotou que entre julho de 2011 e julho de 2014, Eitas teria facilitado atividades criminosas dos doleiros, em especial a lavagem de dinheiro.

A corporação relatou que, enquanto gerente da agência Campos Elíseos e depois da unidade de Santana do Banco do Brasil, José Erias atuaria de forma semelhante a Rinaldo Carvalho, um ex-funcionário do Banco condenado pela Lava Jato por auxiliar doleiros a abrir e movimentar as contas em nome das empresas de fachada.

Segundo a Polícia Federal, desde a abertura de contas em nome de empresas que eram utilizadas pelos doleiros, como Sprour, houve encerramento de registros do sistema de detecção de lavagem de dinheiro do Banco, prejudicando a comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O encerramento se dava por ação ou orientação de Eiras, diz a PF.

A corporação também relatou que uma empresa utilizada por Sprour fechou um termo de compromisso com o Banco se comprometendo a fazer depósitos em espécies e compras periódicas e, segundo depoimentos colhidos pela PF, nos mesmos dias em a companhia enviava ao banco altos valores em espécie, outras empresas, de outros doleiros, como ‘Arturito’, solicitavam grandes montantes de dinheiro.

A corporação diz ainda que Eiras teria cheques de uma empresa constituída por sua mulher e seu filho para a realização de depósitos na conta da companhia utilizada utilizada por Sprour, quando houvesse necessidade.

Há também indícios de que, os doleiros prometeram e/ou pagaram valores indevidos a José Eiras, indicando a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, segundo a PF.

Já com relação à articulação entre o funcionário e a doleira Nelma Kodama, a PF registrou que Eiras teria aceitado abrir contas, mesmo ciente de que se tratavam de empresas fachada e que as contas seriam utilizadas para a prática de negócios ilícitos, em especial lavagem de dinheiro e transações ilícitas de câmbio. Segundo a corporação, Nelma afirmou, em depoimento judicial, que as contas movimentavam cerca de R$ 1 milhão por dia.

COM A PALAVRA, O EX-GERENTE

A reportagem busca contato com o ex-gerente do BB. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O BANCO DO BRASIL

“O Banco do Brasil informa que vem colaborando com as autoridades na operação Alerta Mínimo, já tendo iniciado processos administrativos que podem resultar na demissão dos funcionários envolvidos.”

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