PF descobre ‘grupo de inteligência’ que vazava informações secretas a políticos e prende prefeito de Florianópolis

PF descobre ‘grupo de inteligência’ que vazava informações secretas a políticos e prende prefeito de Florianópolis

Operação 'Chabu' cumpre 30 mandados em Santa Catarina nesta terça, 18, e mira inclusive agentes da própria corporação e também da Polícia Rodoviária Federal que alertavam investigados com antecedência; Gean Loureiro, ex-MDB, é alvo da missão

Pepita Ortega

18 de junho de 2019 | 11h06

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro. Foto: Eduardo G. de Oliveira / Agência AL

Atualizada às 16h48

A Polícia Federal deflagrou nesta terça, 18, a Operação ‘Chabu’ para desarticular uma organização que violava sigilo de operações policiais em Santa Catarina. O grupo contava com uma rede de políticos, empresários e agentes da PF e da Polícia Rodoviária Federal. Além de vazar informações, contrabandeava equipamentos de contra inteligência. A PF prendeu o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, que deixou recentemente o MDB. Um delegado e um ex-secretário da Casa Civil também são alvos da ‘Chabu’.

Além do prefeito, são alvos da operação: o delegado da Polícia Federal Fernando Amaro de Moraes Caieron, José Augusto Alves, Luciano da Cunha Teixeira, Hélio Sant’Anna e Silva Júnior, Marcelo Rubens Paiva Winter e Luciano Veloso Lima.

Agentes cumprem ao todo 30 mandados, sendo 23 de busca e apreensão e sete de prisão temporária, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região. As ordens são do desembargados Leandro Paulsen.

O magistrado determinou, além da prisão temporária por 5 dias de Gean Loureiro, o afastamento de suas funções de Prefeito de Florianópolis por trinta dias a contar do início da custódia. Leandro Paulsen também proibiu que o chefe do Executivo faça contato, por qualquer forma (presencial, telefônica, telemática etc.), pessoalmente ou mediante interposta pessoa, com os outros investigados, e ordenou que ele não se afaste do Estado de Santa Catarina sem prévia autorização da Justiça e entregue o passaporte.

A Fernando Amaro de Moraes Caieron, o desembargador também ordenou a prisão temporária por 5 dias. O desembargador determinou que o delegado compareça mensalmente à Justiça e o proibiu de acessar ou frequentar toda e qualquer dependência utilizada como sede de força policial, especialmente a Polícia Federal.

O delegado também foi proibido de contatar, pessoalmente ou por interposta pessoa, os demais envolvidos na investigação, não pode se ausentar, sem autorização judicial prévia de Santa Catarina, e teve suspensa sua função pública, sem prejuízo de seus vencimentos, pelo período necessário à conclusão das investigações sobre os fatos aqui apresentados. Leandro Paulsen ainda ordenou que Fernando Amaro de Moraes Caieron entregue ou recolha o distintivo, a carteira funcional, os uniformes, as camisas, os acessórios e demais bens que sejam aptos para se fazer identificar como servidor da Polícia, sua arma particular ou institucional e seu passaporte.

Os crimes foram descobertos a partir da análise dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018.

A PF identificou que a organização criminosa teria formado uma rede de políticos, empresários e servidores da própria corporação e também da Polícia Rodoviária Federal lotados em órgão de inteligência e investigação.

Segundo a PF, o grupo ‘embaraçava investigações policiais em curso e protegia o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas’.

A investigação apurou ainda que a quadrilha vazava sistematicamente informações sobre operações policiais que ainda seriam deflagradas e também contrabandeava equipamentos de contra inteligência para montar ‘salas seguras’, à prova de monitoramento, em órgãos públicos e empresas.

A PF investiga associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

‘Chabu’

A Polícia Federal indicou que o nome da operação, ‘Chabu’, significa ‘dar problema, dar errado, falha no sistema’.

“O termo é utilizado em festas juninas quando falham fogos de artifício e era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer”, destacou a PF.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS

Em nota, a prefeitura de Florianópolis informou que Gean Loureiro concordou em prestar todas as informações e comparecer à PF para depor. “As informações preliminares dão conta de que não há nenhum ato ou desvio de recursos públicos relacionados à Prefeitura”, afirma a assessoria de Loureiro.

A reportagem busca contato com a defesa do ex-secretário de Estado da Casa Civil, Luciano Veloso Lima, atualmente ocupando função na Biblioteca da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e também alvo da Operação ‘Chabu’.

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