Procuradoria descobre 59 telefonemas entre operadores de Eduardo Cunha e Bendine

Procuradoria descobre 59 telefonemas entre operadores de Eduardo Cunha e Bendine

Quebra de sigilo telefônico de André Gustavo Vieira da Silva, pego na Operação Cobra, indica rede de contatos com Lúcio Funaro, pego na Operação Sépsis

Luiz Vassallo e Julia Affonso

03 Agosto 2017 | 05h00

Aldemir Bendine e Eduardo Cunha. Fotos: Sérgio Moraes / Reuters e Dida Sampaio / Estadão

A quebra de sigilo telefônico de André Gustavo Vieira da Silva, identificado como operador do ex-presidente do Banco do Banco e da Petrobrás, Aldemir Bendine, preso na Operação Cobra – desdobramento da Lava Jato -, revelou 59 ligações ao doleiro Lúcio Funaro, também encarcerado, desde julho de 2016, na Operação Sépsis.

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André Gustavo também foi pego pela Cobra, fase 42 da Lava Jato, investigado por supostamente operacionalizar o repasse de R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht a Bendine.

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O inquérito dá conta de troca de mensagens entre André Gustavo e o ex-presidente da Petrobrás e do BB em que é mencionado o endereço do operador aonde, segundo o Ministério Público Federal, foram realizados os encontros ‘nos quais foram acertadas as vantagens indevidas destinadas a Aldemir Bendine’.

Documento

Lúcio Funaro foi preso na Operação Sépsis, no dia 1.º de julho de 2016, com base na delação de Fabio Cleto, ex-vice presidente de Fundos e Loterias da Caixa.

Funaro, apontado como operador de propinas do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ), também é investigado na Lava Jato e em outras missões sensíveis da Polícia Federal, como a Patmos, que pegou o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB/MG), e Greenfield.

O doleiro confessou crimes à Polícia Federal e atribuiu a Temer o pedido para uma comissão de R$ 20 milhões proveniente de duas operações do Fundo de Investimentos do FGTS, dinheiro que deveria ser destinado à campanha presidencial do peemedebista em 2014 e, também, para a de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, em 2012.

As operações no FI-FGTS eram relacionadas às empresas LLX e BRVias e são investigadas na Operação Sépsis.

Os operadores ligados a Eduardo Cunha e a Bendine realizaram, entre si, 59 ligações, segundo a quebra de sigilo telefônico de André Gustavo.

As ligações entre os operadores se deram entre maio de 2014 e janeiro de 2016, até seis meses antes da prisão de Funaro na Sépsis. Em várias ocasiões, André e Funaro trocaram telefonemas diversas vezes em um mesmo dia.

Em 2 de janeiro de 2015, foram nove chamadas entre os operadores. Somente naquele mês, quando teria ocorrido, segundo delatores, reunião entre executivos da Odebrecht e o então presidente da Petrobrás, 19 chamadas foram realizadas entre Funaro e André Gustavo.

Naquela reunião, segundo o juiz federal Sérgio Moro, ‘foram tratados efeitos econômicos da Operação Lava Jato sobre as empresas fornecedoras da Petrobrás’ e, nela, Bendine alegou que ‘teria sido encarregado pela Presidência da República para tratar de assuntos de liquidez com elas’.

No despacho em que converteu a prisão de Bendine e de seu suposto operador em preventiva, Moro destacou que ‘a aparente relação intensa de André Gustavo Vieira da Silva com operador de propinas para ex-parlamentar é mais um elemento que coloca uma sombra sobre a natureza real de suas atividades econômicas’.

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