Fraudes em fundo de pensão dos Correios deram prejuízo que pode chegar a R$ 180 mi, diz PF

Fraudes em fundo de pensão dos Correios deram prejuízo que pode chegar a R$ 180 mi, diz PF

A Positus apura irregularidades no fundo de pensão, controlado pelo PT e PMDB, que teriam ocorrido entre 2006 e 2011

Andreza Matais e Fábio Fabrini

17 de dezembro de 2015 | 07h40

Foto: Hélvio Romero/Estadão

Foto: Hélvio Romero/Estadão

Atualizada às 9h04

A Operação Positus, deflagrada nesta quinta-feira, 17, pela Polícia Federal, apura fraudes que podem ter causado prejuízo de R$ 180 milhões ao Postalis, fundo de pensões dos funcionários dos Correios, controlado por PT e PMDB.
Estão sendo cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília, Belém e João Pessoa. A Justiça Federal em São Paulo também autorizou a prisão preventiva de Fabrizio Neves, que estaria vivendo nos Estados Unidos. Ele requereu o passaporte italiano em Miami e há dois meses viajou para a Espanha. Como não foi localizado, seu nome foi incluído na lista de procurados da Interpol.

Conforme a PF, as fraudes ocorreram entre 2006 e 2011. Entre os investigados estão o ex-presidente do fundo Alexej Predtechensky e o ex-diretor financeiro Adilson Florencio da Costa, ambos ligados ao PMDB do senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (MA).

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A PF apura operações do Postalis envolvendo a criação de dois fundos de investimentos, que continham mais de R$ 370 milhões em aplicações. Os fundos eram geridos pela empresa Atlântica Administradora de recursos, que tinha como responsáveis Fabrizio Dulcetti Neves, André Barbieri e Cristiano Giorgi Muller.

“A fraude consistia na compra de títulos do mercado de capitais, por uma corretora americana, que os revendia por um valor maior para empresas com sede em paraísos fiscais ligados aos investigados. Em seguida, os títulos eram adquiridos pelos fundos do Postalis com um aumento ainda maior no valor dos títulos. Assim, em um período de poucos dias e, sem justificativa, a aquisição era feita por um preço mais de 60% maior do que o real valor do mercado”, explicou a PF.

Os investigados responderão por gestão fraudulenta de instituição financeira, apropriação de recursos de fundo e lavagem de dinheiro, com penas que variam de 2 a 12 anos de prisão.

Positus, em latim, era o nome dado aos postos de correios situados ao longo de um caminho para dar descanso a mensageiros.

“Meu cliente atendeu à solicitação das autoridades e reafirma seu interesse na conclusão das investigações e no esclarecimento desse episódio”, afirma o advogado Roberto Pagliuso, que defende Adilson Florencio da Costa.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ LUÍS OLIVEIRA LIMA, QUE DEFENDE O EX-PRESIDENTE DO POSTALIS

“O dr. Alexej enquanto esteve à frente do Postalis pautou sua atuação pela legalidade. Já prestou depoimentos esclarecendo os fatos e a lisura da sua postura. Continua à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações.”

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