PF deflagra operação no Pará contra fraudes de quase R$ 1 bi na floresta

PF deflagra operação no Pará contra fraudes de quase R$ 1 bi na floresta

Agentes cumprem 27 mandados na Operação Anhangá Arara contra organização formada por uma família acusada de desmatamentos

Fausto Macedo e Julia Affonso

04 de outubro de 2017 | 08h31

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Poli?cia Federal deflagrou, na manha? desta quarta-feira, 4, a Operac?a?o Anhanga? Arara contra fraudes de quase R$ 1 bilhão. A operac?a?o tem por objetivo a desarticulac?a?o de associac?a?o criminosa que coordenava a extrac?a?o ilegalmente de madeiras nobres dentro da TI Cachoeira Seca.

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Em nota, a PF informou que são cumpridos 27 mandados nas cidades de Uruara?/PA, Placas/PA, Ruro?polis/PA, Santare?m/PA, Castelo dos Sonhos- Altamira/PA, Porto Unia?o/SC, Curitiba/PR e Unia?o da Vito?ria/PR.

Foram expedidos pela Justic?a Federal de Altamira/PA 10 ordens de conduc?a?o coercitiva, 11 mandados de sequestro de bens e valores, 6 mandados de busca e apreensa?o em empresas/casas pertencentes aos investigados e a suspensa?o das atividades empresariais das empresas envolvidas no esquema criminoso. Participam da operac?a?o aproximadamente 40 policiais federais.

Segundo a PF, a investigac?a?o comec?ou apo?s relato?rio da Operac?a?o Cachoeira Seca, realizada pelo IBAMA, que apontou que a TI Cachoeira Seca estava sendo alvo de explorac?a?o ilegal de madeira por madeireiras clandestinas. Durante as averiguac?o?es, foi identificado um grupo empresarial composto por familiares, cujo o patriarca era o responsa?vel pela coordenac?a?o da extrac?a?o ilegal de madeira em a?reas protegidas e por escoar a madeira para as empresas do grupo familiar.

Para burlar a fiscalizac?a?o e dar teor legal a? madeira, o grupo fraudava cre?ditos florestais por meio de inserc?a?o de dados falsos no SISFLORA, ale?m de utilizar Planos de Manejo Florestal de “fachada”. Apo?s isso, a madeira era transmitida entre empresas do grupo ate? ser exportada por meio de portos de Bele?m e do Sul do Brasil, como os constantes na cidade de Itajai? e Paranagua?. O destino da madeira abrange os continentes Americano (EUA, Panama?, Argentina), Europa (Franc?a, Reino Unido, Alemanha) e A?sia (Emirados A?rabes Unidos, Coreia do Sul).

Laudo pericial da Poli?cia Federal estima o dano ambiental em um valor aproximado de R$ 574.912.424,78, referente exclusivamente a?s atividades de extrac?a?o ilegal de madeira do interior da Terra Indi?gena Cachoeira Seca e R$ 322.145.395,69 referentes aos produtos florestais extrai?dos ou destrui?dos quando da abertura das a?reas classificadas como “corte raso”, totalizando um valor de R$ 897.057.820,47.

Em mais de um ano de investigac?o?es, verificou-se que a associac?a?o criminosa e? composta por um grupo empresarial familiar que, mediante a pra?tica de infrac?o?es penais capituladas no art. 50-A da Lei 9.605/98, arts. 288 e 299 do Co?digo Penal, coordenava a extrac?a?o seletiva de madeira nobre –IPE? – dentro da TI Cachoeira Seca, e mediante fraude em cre?ditos florestais por meio de inserc?a?o de dados falsos no SISFLORA, legalizava a madeira extrai?da ilegalmente, com o objetivo final de abastecer o mercado exterior.

O nome Anhanga? Arara significa protec?a?o a? morada dos i?ndios, afetada pelas ac?o?es dos investigados. Anhanga? e? o espi?rito protetor da natureza, figura pertencente ao folclore indi?gena, enquanto Arara sa?o os povos indi?genas que habitam a Terra Indi?gena Cachoeira Seca, encontrando nela uma nova morada apo?s quase serem extintos no Se?c.XX.

 

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