PF deflagra ‘Vidas Secas’ contra empreiteiras da Lava Jato por desvios na transposição do São Francisco

PF deflagra ‘Vidas Secas’ contra empreiteiras da Lava Jato por desvios na transposição do São Francisco

Operação apura esquema que teria desviado R$ 200 milhões em dois lotes da obra tocados por OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Melo e Coesa por meio dos doleiros Alberto Youssef e Adir Assad, já condenados na Lava Jato

Andreza Matais, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

11 Dezembro 2015 | 08h24

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Obras da Transposição do São Francisco. Foto: Genival Paparazzi/Estadão

Um consórcio formado pelas empresas OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Melo e Coesa, responsável por dois dos 14 lotes da transposição do Rio São Francisco é alvo de operação da Polícia Federal deflagrada na manhã desta sexta-feira, 11, chamada Vidas Secas. O grupo, do qual quatro empreiteiras já são investigadas na Lava Jato,  é suspeito e superfaturamento  e de usar empresas de fachada  dos doleiros Alberto Youssef e Adir Assad, já condenados por envolvimento no esquema da Petrobrás, para desviar cerca de R$ 200 milhões destinados à transposição, no trecho que vai do agreste do Estado de Pernambuco até a Paraíba.

Apesar das coincidências com a operação tocada pelo juiz Sérgio Moro, no Paraná, a investigação é realizada pela Polícia Federal no Recife (PE) independente da Lava Jato. Ao perceber que os alvos se cruzaram, contudo, a Polícia Federal compartilhou informações com a força-tarefa da emblemática operação que desmontou o esquema de corrupção na Petrobrás.

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Alberto Youssef (esq) e Adir Assad (dir), condenados na Lava Jato. Foto: Estadão e Futura Press

Cerca de 150 policiais federais cumprem nesta manhã 32 mandados, sendo 24 de busca e apreensão, 4 de condução coercitiva e quatro de prisão nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e em Brasília.

Dentre as empresas usadas pelas empreiteiras para desviar o dinheiro está a MO Consultoria, pertencente a Youssef e usada por ele também para desviar dinheiro e irrigar o caixa de partidos e políticos no esquema de corrupção na Petrobrás revelado na Lava Jato. Além disso as empresas de Assad também teriam sido utilizadas. Youssef e Assad já foram condenados pelo juiz Sérgio Moro devido ao envolvimento no esquema na Petrobrás.

Entre 2009 e 2013 a MO Consultoria movimentou R$ 90 milhões no esquema da Petrobrás.

Obra. A obra de transposição do rio São Francisco é tocada pelo governo federal e foi reiniciada na gestão do ex-presidente Lula. Segundo o Ministério da Integração Nacional, responsável pela execução, a obra engloba a construção de quatro túneis, 14 aquedutos, nove estações de bombeamento e 27 reservatórios. Desde que foi retomada, ela se arrasta há oito anos.

Além da recuperação de 23 açudes existentes na região que receberão as águas do rio São Francisco. O projeto esta orçado em R$ 8,2 bilhões, com base na planilha orçamentária vigente.

O governo diz que a obra beneficiará uma população estimada de 12 milhões de habitantes, em 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde a estiagem ocorre frequentemente. A Região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. O Rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional.

Em outubro deste ano, conforme o ministério, 81% da execução física da obra estava concluída, sendo o Eixo Norte com 82,2% e o Eixo Leste com 79,2%.

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou entre 2005 e 2013 irregularidades que somam R$ 734 milhões nas obras da transposição. O que inclui, contratos que não foram honrados ou que tem sobrepreço, pagamento duplicado por obras ou pagamento de serviços que não foram executados.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DA GALVÃO ENGENHARIA:

“O Grupo Galvão informa que ainda não tomou conhecimento dos detalhes da investigação denominada Operação Vidas Secas, que cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão na presente data.

A Galvão Engenharia, desde já, informa que tem o compromisso de colaborar com o poder público para que tudo seja esclarecido da melhor forma possível.

Assessoria de imprensa do Grupo Galvão”.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTONIO AUGUSTO FIGUEIREDO BASTO, QUE DEFENDE YOUSSEF

O criminalista afirmou que ainda não teve acesso às investigações do caso e que a defesa de Alberto Youssef só vai comentar depois de estudar o processo.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA MIGUEL PEREIRA NETO, DEFENSOR DE ADIR ASSAD

O advogado Miguel Pereira Neto, que defende Adir Assad, disse que ainda não tomou conhecimento dos detalhes da investigação que deu base à ‘Vidas Secas’, missão da Polícia Federal. “Depois que tivermos acesso aos autos é que poderemos nos manifestar”, anotou Miguel Pereira Neto.

COM A PALAVRA, A DEFESA DA BARBOSA MELLO:

O advogado Leonardo Bandeira, responsável pela defesa da Barbosa Mello afirmou que nenhum diretor ou executivo da empresa foi preso ou conduzido para depor e que não a empresa nem seus executivos foi alvo de buscas nesta manhã. Segundoo defensor a empresa está tomando conhecimento do caso.

Os demais citados na investigação ainda não se manifestaram sobre a operação.