André Puccinelli (PMDB), ex-governador do MS, é alvo de buscas na Lama Asfáltica

André Puccinelli (PMDB), ex-governador do MS, é alvo de buscas na Lama Asfáltica

PF investiga um grupo que teria desviado recursos públicos federais por meio de obras de pavimentação de rodovias, construção e prestação de serviços nas áreas de informática e gráfica; contratos sob investigação envolvem mais de R$ 2 bilhões

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

10 de maio de 2016 | 08h59

CAMPO GRANDE/MS 10-05-2016 NACIONAL OPERACAO LAMA ASFALTICA Investigação da Lama Asfáltica já comprovou desvio de R$ 43 milhõesAo todo, são investigados contratos que somam R$ 2 bilhões Os 15 presos na 2ª fase da Operação Lama Asfáltica estão sendo interrogados na sede da Polícia Federal em Campo Grande e, depois disso, serão encaminhados para uma unidade prisional. A assessoria de imprensa da PF, porém, informou que há possibilidade de que os detidos passem a noite na delegacia e sejam transferidos nesta quarta-feira (11) NA FOTO ANDRE PUCCINELLI CHEGA A PF PARA DEPOIMENTO FOTO ALVARO REZENDE /CORREIO DO ESTADO/PAGOS

Andre Puccinelli chega para depor na PF. Foto: ALVARO REZENDE /CORREIO DO ESTADO

Atualizada às 21h14

A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria Geral da União e a Receita Federal, deflagrou nesta terça-feira, 10, a 2ª fase da Operação Lama Asfáltica – Operação Fazendas de Lama. A casa do ex-governador do Mato Grosso do Sul André Puccinelli (PMDB) foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Foram presos temporariamente o ex-deputado federal Edson Giroto (PR-MS) – também alvo de buscas – o empresário João Amorim e três filhas. A PF informou ainda que apreendeu com investigados um total de US$ 50 mil e cerca de R$ 500 mil em dinheiro vivo.

Giroto foi titular da antiga Secretaria de Obras Públicas e Transportes de Mato Grosso do Sul, durante os mandatos do ex-governador André Puccinelli (PMDB), entre 2007 e 2010. Retornou o cargo em 2013 e 2014. Na 1ª fase da Lama Asfáltica, em julho do ano passado, agentes estiveram na casa de Giroto, que na época era assessor especial do Ministério dos Transportes.

A PF investiga um grupo que teria desviado recursos públicos federais por meio de obras de pavimentação de rodovias, construção e prestação de serviços nas áreas de informática e gráfica. Os contratos sob investigação envolvem mais de R$ 2 bilhões.

Cerca de 200 policiais federais, com apoio de 28 auditores da CGU e 44 da Receita Federal, cumprem 67 mandados judiciais, sendo 28 de busca e apreensão, 15 de prisão temporária e 24 de sequestro de bens de investigados.

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As medidas estão sendo cumpridas nos municípios de Campo Grande/MS, Rio Negro/MS, Curitiba/PR, Maringá/PR, Presidente Prudente/SP e Tanabi/SP

“Durante a primeira fase da Operação, cujas investigações iniciaram-se em 2013, foi constatada a existência de um grupo que, por meio de empresas em nome próprio e de terceiros, superfaturaram obras contratadas com a administração pública, mediante a prática de corrupção de servidores públicos e fraudes a licitações, ocasionando desvios de recursos públicos”, informa nota da PF.

Nesta fase, após a análise dos materiais apreendidos novas fiscalizações realizadas pela CGU e relatórios da Receita Federal, ‘foram verificados fortes indícios da prática de lavagem de dinheiro, decorrente, inclusive, de desvio de recursos públicos federais e corrupção passiva, com a utilização de mecanismos para ocultação de tais valores, como aquisição de bens em nome de terceiros e saques em espécie’.

Os presos serão encaminhados para a Superintendência da PF em Campo Grande/MS, bem como os materiais objetos das buscas e apreensões.

O nome Fazendas de Lama faz referência a procedimentos utilizados pelos investigados na aquisição de propriedades rurais com recursos públicos desviados de contratos de obras públicas, fraudes em licitações e recebimento de propinas, resultando também em crimes de lavagem de dinheiro.

A reportagem ligou diversas vezes para o escritório político de André Puccinelli, mas ninguém atendeu. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE EDSON GIROTO

O advogado José Valeriano de Souza Fontoura afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito e nem à decisão que decretou a prisão temporária do ex-deputado Edson Giroto.

“Não tenho a motivação, não posso dizer nada.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOÃO AMORIM

O advogado Benedicto de Figueiredo informou que ainda não teve acesso ao decreto de prisão e ao inquérito.

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