PF deflagra Hymenaea contra devastadores da floresta dos índios

PF deflagra Hymenaea contra devastadores da floresta dos índios

Agentes cumprem 77 mandados judiciais, dos quais 21 de prisão, no Maranhão, no Rio Grande do Norte e no Ceará; organização girou R$ 60 milhões

Fausto Macedo e Julia Affonso

14 de julho de 2016 | 08h45

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 14, a Operação Hymenaea contra um grupo ligado à extração e à comercialização de grandes quantidades de madeira ilegal proveniente da Terra Indígena Caru e da Reserva Biológica do Gurupi. A ação também é realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A PF estima que o grupo teria girado R$ 60 milhões. Foram sequestrados mais de R$ 12 milhões de pessoas físicas e jurídicas ‘provenientes da lavagem de dinheiro auferido com a extração ilegal da madeira’.

Mais de 300 policiais federais, apoiados por servidores do Ibama e por policiais do Bope de Brasília e do Rio cumprem 77 medidas judiciais: 11 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária, 56 de busca e apreensão. Os agentes atuam ainda na suspensão da certificação de 44 empresas madeireiras nas cidades de São Luís, Imperatriz e mais 6 cidades no Maranhão, em Tibau, Mossoró, Parnamirim e Natal, no Rio Grande do Norte e em Capuí, no Ceará.

Segundo a Federal, o grupo atuava extraindo madeira ilegalmente das reservas indígenas, ‘que era esquentada por meio de documentação fraudulenta para o transporte e retirada em áreas protegidas’.

“Um membro da quadrilha era o responsável por emitir documentos destinados a microempresas laranjas cadastradas como construtoras em pequenas cidades no interior do Rio Grande do Norte, sendo que o real objetivo da manobra era desviar a madeira para receptadores em todo o Nordeste brasileiro”, afirma a PF em nota.

A Federal afirma que o grupo fazia o corte seletivo de madeira nobre e espécies ameaçadas de extinção para ‘acobertar o crime sob a copa das árvores de menor valor monetário’.

Os investigados responderão por organização criminosa, lavagem de dinheiro, roubo de bens apreendidos, obstar a fiscalização ambiental, desmatamento na Terra Indígena Caru, desmatamento na Reserva Biológica do Gurupi, receptação qualificada, ter em depósito produto de origem vegetal sem licença válida, corrupção ativa, tráfico de influência.

A operação foi batizada de Hymenaea em uma referência ao gênero de uma das espécies – Jatobá, hymenaea courbaril -, ilegalmente explorada na Terra Indígena Caru e na Reserva Biológica do Gurupi.

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