PF deflagra fase 62 da Lava Jato

PF deflagra fase 62 da Lava Jato

Seis ordens de prisão e 33 mandados de busca e apreensão são cumpridos em 15 municípios de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais; segundo a Políca Federal, o Grupo Petrópolis teria repassado propinas da Odebrecht disfarçadas de doações de campanha eleitoral 

Pepita Ortega e Fausto Macedo

31 de julho de 2019 | 08h07

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta, 31, a 62ª fase da Operação Lava Jato, denominada Rock City. A ação apura o pagamento de propinas disfarçadas de doações de campanha eleitoral realizada por empresas do Grupo Petrópolis. Segundo a PF, o grupo teria auxiliado a Odebrecht a realizar pagamentos ilícitos por meio de operações dólar-cabo – troca de reais no Brasil por dólares em contas no exterior.

Cerca de 120 Policiais federais cumprem 1 mandado de prisão preventiva, 5 mandados de prisão temporária e 33 mandados de busca e apreensão em 15 diferentes municípios – Boituva, Fernandópolis, Itu, Vinhedo, Piracicaba, Jacareí, Porto Feliz, Santa Fé do Sul, Santana do Parnaíba e São Paulo (SP); Cuiabá (MT); Cassilândia (MS); Petrópolis e Duque de Caxias (RJ); e Belo Horizonte (MG).

Documento

Três ordens de prisão foram cumpridas pela Polícia Federal até agora – Maria Elena de Souza, secretária da Diretoria do Grupo Petrópolis, Vanuê Faria, sobrinho do empresário Walter Faria, e o advogado Silvio Pelegrini, em cuja residência os investigações encontraram R$ 240 mil em dinheiro vivo.

O alvo da ordem de prisão preventiva é Walter Faria, controlador do grupo, indicou o Ministério Público Federal no Paraná.

As ações são realizadas em cooperação com a Procuradoria e com a Receita Federal.

Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados.

A suspeita da Polícia Federal é de que offshores relacionadas à Odebrecht realizavam transferências de valores para contas no exterior do Grupo Petrópolis, que por sua vez disponibilizava dinheiro em espécie no Brasil para realização de doações eleitorais.

De acordo com a PF, um dos executivos da Odebrecht, em colaboração premiada, afirmou que utilizou o Grupo Petrópolis para realizar doações de campanha eleitoral para políticos de outubro de 2008 a junho de 2014. As operações teriam resultado em uma dívida não contabilizada de R$ 120 milhões entre a construtora com o Grupo investigado. Em contrapartida, a Odebrecht investia em negócios da cervejaria.

A Polícia Federal indicou ainda que há indícios de que um dos executivos do Grupo investigado, tenha regularizado irregularmente, em 2017, R$ 1.393.800.399,02, utilizando o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT).

A PF suspeita que os ‘valores seriam provenientes da prática de “caixa dois” na empresa’. Segundo a Polícia Federal, a operação teria como origem um esquema de sonegação tributária ‘que contava com a burla de medidores de produção de cerveja’. A bebida era vendida a pequenos comerciantes em espécie e então os valores eram entregues à Odebrecht’.

Segundo a PF, o nome da operação, Rock City, em português Cidade de Pedra, tem relação com o significado das palavras gregas que remetem ao grupo investigado.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal no Paraná, onde serão interrogados, informou a Polícia Federal.

COM A PALAVRA, O GRUPO PETRÓPOLIS

“O Grupo Petrópolis informa que seus executivos já prestaram anteriormente todos os esclarecimentos sobre o assunto aos órgãos competentes. Informa também que sempre esteve e continua à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos”

Tendências: