PF deflagra 2ª fase da ‘E o Vento Levou’ e mira quem recebeu desvio milionário da Cemig

PF deflagra 2ª fase da ‘E o Vento Levou’ e mira quem recebeu desvio milionário da Cemig

Agentes cumprem sete mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Bahia e Minas Gerais; a primeira fase da operação teve como foco o desvio de dinheiro da empresa Cemig Geração e Transmissão por meio do aporte de R$ 850 milhões de reais na empresa Renova Energia SA

Fausto Macedo e Pepita Ortega

25 de julho de 2019 | 07h34

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta, 25, a segunda fase Operação ‘E o Vento Levou’, quinta fase da Operação Descarte, para investigar o os beneficiários dos recursos desviados da empresa Cemig Geração e Transmissão. Segundo a PF e a Receita, provas produzidas até o momento indicam que pessoas e empresas de Minas Gerais e da Bahia teriam recebido valores em espécie.

Agentes cumprem oito mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas e empresas investigadas. As ações ocorrem em São Bernardo do Campo/SP, Salvador/BA, Lauro de Freitas, Milagres/BA, e Nova Lima/MG. A ação é realizada em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal.

Um endereço ligado ao ex-deputado federal Gabriel Guimarães foi alvo de uma das ordens cumpridas nesta manhã. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo.

A Operação ‘E o vento levou’, quarta fase da Descarte, foi deflagrada em abril. A ação cumpriu 26 mandados de busca e apreensão e teve como foco o desvio de dinheiro da empresa Cemig Geração e Transmissão por meio do aporte de R$ 810 milhões de reais na empresa Renova Energia SA.

Segundo a PF, parte do dinheiro desviado, pelo menos R$ 40 milhões, foi posteriormente repassado por meio do superfaturamento de um contrato com a empresa Casa dos Ventos. A investigação constatou ainda que valores foram transferidos a várias empresas. Em seguida, o dinheiro foi convertido em espécie e distribuído a diversas pessoas, indica a Polícia Federal.

Na primeira fase da ‘E o vento levou’, a Polícia pediu a prisão temporária de dois investigados ligados ao deputado Aécio Neves (PSDB) – Oswaldo Borges da Costa Filho, suspeito de ter participado de um esquema de fraude na construção da Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais, e Flávio Jacques Carneiro, apontado pelo empresário Joesley Batista como intermediário de propina para o tucano.

Na ocasião os pedidos foram negados pela Justiça. Aécio Neves não foi alvo de mandados na ação.

A primeira fase da operação investigou ainda a participação de executivos e acionistas da Andrade Gutierrez, da Cemig, da Renova e da Casa dos Ventos na fraude, além dos operadores financeiros e outras empresas usadas para escoar o dinheiro desviado.

Segundo a PF, aos investigados poderão ser imputados, na medida de sua participação nos fatos, os crimes de Associação Criminosa, Peculato, Lavagem de Dinheiro, e Falsidade Ideológica cujas penas, somadas, poderão resultar em 9 a 38 anos de prisão.

O nome da fase da operação, ‘E o Vento Levou’ faz referência à empresas do setor eólico que tiveram papel preponderante no esquema fraudulento, indicou a Receita Federal.

O caminho do dinheiro

Segundo a Receita Federal, pelo menos R$ 40 milhões do valor aportado pela estatal do setor elétrico na empresa de energia eólica foram desviados por meio de diversos contratos fraudulentos, ‘com o objetivo de obter dinheiro em espécie e remessas ilegais ao exterior, viabilizados por doleiros’. As investigações revelaram que o dinheiro em espécie teria sido entregue a diversas pessoas.

O escritório de organização de lavagem de dinheiro, objeto da primeira fase da Descarte, teria sido uma das peças utilizadas em um esquema que foi arquitetado para acobertar o real propósito das operações financeiras, indicou a Receita. Segundo o órgão, os recursos chegaram a passar por cinco ‘camadas’ de diferentes pessoas físicas e jurídicas antes de chegar aos seus beneficiários finais.

Parte do dinheiro lavado teve origem em empresa subsidiária de uma das empresas do setor eólico e teve a participação de outro escritório de lavagem, identificado a partir da análise do material aprendido nas fases anteriores.

COM A PALAVRA, GABRIEL GUIMARÃES

A reportagem busca contato com o ex-deputado do PT de Minas. O espaço está aberto para manifestação. (pepita.ortega@estadao.com)

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