PF prende 10 suspeitos de terrorismo no Brasil

PF prende 10 suspeitos de terrorismo no Brasil

Operação foi deflagrada a quinze dias dos Jogos Olímpicos após os investigadores detectarem mensagens de grupo que pregava intolerância religiosa, defendia luta armada e chegou a entrar em contato com o Estado Islâmico

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

21 de julho de 2016 | 11h44

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Sede da Polícia Federal em Curiitba. Foto: Mateus Coutinho/Estadão

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 21, a Operação Hashtag  e prendeu 10 brasileiros suspeitos de compor uma célula terrorista internacional do Estado Islâmico, no País. Ao todo, cerca de 130 policiais federais cumprem 12 mandados de prisão temporária por 30 dias podendo ser prorrogados por mais 30, além de dois mandados de condução coercitiva e 20 de buscas e apreensões nos Estados do do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

A operação ocorre a quinze dias dos Jogos Olímpicos, quando o Brasil receberá federações de atletas de todo o mundo, incluindo países que foram alvos de ataques recentes do grupo. Os mandados foram expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba, onde morava o líder do grupo. O processo corre em sigilo.

Segundo o ministro da Justiça Alexandre de Morais, integrantes do grupo brasileiro que defendia uso de arma de táticas de guerrilha chegaram a entrar em contato com  o Estado Islâmico na internet e também a tentar comprar um rifle AK-47 no Paraguai. Além disso, as investigações identificaram que eles buscaram treinamento em artes marciais e de tiro.

Estes atos – tentativa de comprar arma, contato com o Estado Islâmico e tentativa de treinar artes marciais e tiros – motivaram os pedidos de prisão. Um dos alvos da operação chegou a cumprir seis anos por homicídio, segundo Alexandre de Moraes.

A PF identificou que os integrantes do grupo chegaram a fazer um juramento na internet pelo Estado Islâmico, uma prática adotada pelo grupo terrorista para conseguir seguidores. Não foi identificado, porém, qual seria o alvo do grupo brasileiro.

De acordo com o ministro, as informações foram obtidas, dentre outras, a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos, inclusive de mensagens dos aplicativos WhatsApp e Telegram do grupo e revelaram que os investigados defendiam a intolerância racial, de gênero e religiosa, e o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos.

As mensagens interceptadas revelaram também que o grupo chegou a comemorar o atentado em uma boate LBGT em Orlando, nos EUA,  em junho que deixou 50 mortos e 53 feridos. Na ocasião o Estado Islâmico assumiu a autoria do massacre.

Para assegurar o êxito da Operação e eventual realização de novas fases, os nomes dos presos, atualmente sob custódia da Polícia Federal, não serão divulgados neste momento.

Os artigos 3º e 5º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que definem o terrorismo como crime:

Art. 3º: “Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista” e art. 5º: Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito”.

 

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