PF combate garimpo ilegal em terra indígena Kayapó

PF combate garimpo ilegal em terra indígena Kayapó

Operação mira grupo criminoso que explorava área do tamanho de 50 campos de futebol no Pará. Estão na mira da PF compradores da Itália e da China

Fabio Serapião/BRASÍLIA

21 Agosto 2018 | 11h35

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 21, a operação Muiraquitã com o objetivo de desarticular um grupo criminoso que atuava no garimpo ilegal na terra indígena Kayapó. A ação está sendo realizada na região entre as cidades Ourilândia e Tucumã, região sudeste do Pará, e é resultado de uma parceria entre PF, Ibama e a Funai.

“A ações desencadeadas visam realizar prisões em flagrante dos envolvidos, faciliciar a ação do órgão ambiental na constatação dos danos extremos à natureza, desativar as pistas de pouso que não são homologadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e que não servem à comunidade indígena e estancar a extração e comercialização ilegal de ouro na região”, diz a PF.

A operação é considerada a maior ação com uso de força aérea policial naquela região do país.  Ao todo, são sete helicópteros da PF, IBAMA e Secretaria de Segurança Pública do Pará estão atuando para atacar a logística utilizada pelo grupo. Duas pistas de pouso e decolagem clandestinas serão explodidas pela PF.

O Estado apurou que a PF investiga a relação dos garimpeiros ilegais com compradores do exterior. Estão na mira dos investigadores uma família italiana que estaria envolvida no fomento da exploração do ouro na região e um empresário chines do setor financeiro.

“A atividade mineradora clandestina ocasiona diversos danos ao meio ambiente e aos indígenas, sendo os mais recorrentes: desvio do curso de rios, desmonte hidráulico (no caso de garimpagem mecânica), aterramento de rios e contaminação do solo, ar e águas através de metais pesados, principalmente o mercúrio, extinção de vegetação e animais e contaminação dos silvícolas”, diz nota da PF sobre a operação.

Até o momento, a Funai já mapeou que cerca de 2.800 indígenas foram contaminados pelos resíduos do garimpo ilegal despejados nos rios da região.  A extensão dos danos causados será avaliada por peritos criminais federais que participam da operação e estão coletando informações e materiais que resultarão em laudo pericial.

O nome da operação faz referência aos objetos utilizados por “povos indígenas como amuletos, símbolos de poder ou, ainda, como material para compra e troca de artefatos valiosos”.