PF caça plantões médicos fantasmas de Foz

PF caça plantões médicos fantasmas de Foz

Sétima fase da Operação Pecúlio aponta conluio de empresa credenciada junto à Prefeitura Municipal da cidade paranaense e suposto envolvimento do ex-prefeito Reni Pereira (PSB), alvo de mandado de condução coercitiva

Ricardo Brandt

24 Agosto 2017 | 13h32

Foto: PF

A Polícia Federal deflagrou a sétima fase da Operação Pecúlio, em Foz do Iguaçu (PR), agora na caça de plantões médicos fantasmas envolvendo o ex-prefeito Reni Pereira (PSB), alvo de mandado de condução coercitiva. Ao todo, a 3.ª Vara da Justiça Federal expediu 14 mandados de condução – além de Reni estão sob suspeita cinco médicos e os ex-vereadores Edílio Dall’Agnol e Luiz Queiroga que, na quinta fase da missão, chegaram a ser presos.

A PF informou que apreendeu na residência de um médico armamento, munições e até silenciadores.

Foto: PF

Foto: PF

Foto: PF

Foto: PF

A investigação revela que o esquema dos plantões fictícios envolve uma empresa credenciada junto à Prefeitura de Foz no período entre 2014 e 2015. Valores pagos pelo Tesouro municipal eram ‘utilizados para complementar a remuneração de agentes públicos’.

A PF destacou que o esquema era abastecido por ‘desvio de recursos públicos, com a finalidade de obtenção de vantagens indevidas’.

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Cerca de 80 policiais federais foram mobilizados para cumprimento de 26 mandados judiciais, sendo 14 de condução coercitiva e 12 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados.

“As evidências apontam que no biênio 2014/2015 foram indevidamente incluídos plantões médicos fictícios lançados em benefício de empresa credenciada junto à Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, sendo os respectivos valores utilizados para complementar a remuneração de agentes públicos”, assinala a PF.

“Alguns casos para burlar o limite constitucional previsto para servidores da esfera municipal – subsídio do ex-prefeito -, e também remunerar pessoas sem vínculo direto com a administração.”, informou a PF.

A PF ressaltou que Reni Pereira tinha conhecimento dos plantões médicos fictícios.

Segundo o delegado Sérgio Ueda, o ex-prefeito pediu que fossem realizados pagamentos ‘por fora’ para servidores ligados ao esquema.

A reportagem não localizou a defesa de Reni. O espaço está aberto para manifestação.

AS MUITAS CARAS DA PECÚLIO

1ª Fase – deflagrada em 19/04/16 (84 mandados):

Operação investiga grupo de pessoas que cometia irregularidades na prefeitura e na Câmara de Foz do Iguaçu-PR.

Foram alvos o ex-secretário de Tecnologia da Informação, o ex-secretário de Planejamento. O então prefeito de Foz foi levado para depor sob condução coercitiva.

2ª Fase – deflagrada em 03/05/2016 (sete mandados):

Novas informações levaram os policiais às portas da Secretaria de Obras. Duas pessoas foram presas preventivamente: o ex-titular da pasta, e o ex-diretor de pavimentação.

3ª Fase – deflagrada em 21/06/2016 (31 mandados):

– Objetivo: combater irregularidades em processos licitatórios de prestação de serviços na prefeitura de Foz do Iguaçu,

9 de prisão preventiva de diversos setores da Administração.

4ª Fase – deflagrada em 14/07/2016 (um mandado de prisão – Prefeito):

Nesta fase, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, decretou a prisão domiciliar e afastamento do cargo do prefeito da cidade. No final de outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou a prisão domiciliar do prefeito, mas manteve o impedimento político.

5ª Fase – deflagrada em 15/12/2016 (78 mandados):

– Foram presos 12 dos 15 vereadores da cidade;

6ª Fase – deflagrada em 16/12/2016 (67 mandados):

– Continuidade aos procedimentos do dia anterior – 5ª Fase.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RODRIGO SANCHEZ RIOS, DEFENSOR DO EX-PREFEITO DE FOZ

“O ex-prefeito Reni Pereira compareceu a Polícia Federal para prestar esclarecimentos a respeito dos plantões médicos na Rede Municipal de Saúde. Em relação a essas irregularidades, importante mencionar que as suspeitas atinentes aos plantões médicos foram trazidas ao conhecimento da autoridade policial pelo próprio prefeito em reunião com o delegado geral da Superintendência da Policial Federal de Foz do Iguaçu na primeira quinzena de 2016 a partir de narrativas de servidores públicos.”

Advogado Rodrigo Sanchez Rios

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