PF caça grupo por fraude milionária na merenda do Mais Educação em Roraima

PF caça grupo por fraude milionária na merenda do Mais Educação em Roraima

Segunda fase da Operação Tântalo cumpre quatro mandados de prisão preventiva e faz nove buscas em Boa Vista; a Justiça determinou ainda o sequestro e bloqueio de R$ 5 milhões dos envolvidos, além de quebra de sigilo bancário e fiscal

Pepita Ortega

04 de julho de 2019 | 10h17

Professora ensina em sala de aula Foto: PAULO LIEBERT/ESTADÃO

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta, 4, com apoio do Ministério Público Federal, a segunda fase da Operação Tântalo para prender membros de organização criminosa que desviava recursos públicos da merenda escolar no âmbito do Programa Mais Educação entre 2016 e 2018.

Agentes cumprem quatro mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em Boa Vista (RR). As ordens foram expedidas pela 4ª Vara da Justiça Federal em Roraima.

A Justiça determinou ainda a quebra do sigilo bancário e fiscal dos envolvidos e o sequestro de bens e bloqueio de valores de R$ 5 milhões.

Segundo a investigação, a empresa responsável pelo fornecimento de alimentos para merenda escolar junto ao Governo de Roraima teria recebido, só em 2018, mais de R$ 7 milhões.

No entanto, a companhia pertenceria a um ‘laranja’, informou a PF. Os verdadeiros responsáveis não tinham vínculo com a empresa ou eram proprietários de outros estabelecimentos, para os quais a maior parte do dinheiro era destinada.

De acordo com a Polícia Federal, uma das empresas, envolvida no esquema desmontado pela primeira fase da operação, estaria tentando obter novos contratos com o Governo de Roraima por meio da participação em processos licitatórios.

A primeira fase da Operação Tântalo foi deflagrada em dezembro de 2018. A PF tinha o objetivo de desarticular um esquema que desde 2016 realizava a entrega parcial de alimentos, mas recebia atestado de recebimento integral dos produtos – emitidos por servidores integrantes da organização. Em alguns casos, os produtos eram substituídos por itens mais baratos.

Na ocasião, foram presos o proprietário da empresa que detinha o contrato de fornecimento de alimentos e outros três envolvidos.

Segundo a PF, o nome da operação, Tântalo, faz referência a um personagem da mitologia grega ‘que foi castigado a nunca conseguir alcançar água e alimentos, apesar de viver cercado destes em abundância, restando em eterno suplício’.

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