PF pega US$ 330 mil na máquina de lavar roupas e caça operadores de R$ 1,4 bi do tráfico

PF pega US$ 330 mil na máquina de lavar roupas e caça operadores de R$ 1,4 bi do tráfico

Agentes federais da Operação Planum encontraram também no eletrodoméstico 10 mil euros e R$ 57 mil em dinheiro vivo em uma residência em São Paulo

Redação

29 Novembro 2018 | 08h36

Polícia Federal apreende dinheiro usado em tráfico de droga. Foto: Polícia Federal / Reprodução

A Polícia Federal encontrou 330 mil dólares, 10 mil euros e R$ 57 mil em uma máquina de lavar roupas durante busca e apreensão no âmbito da Planum, operação deflagrada nesta quinta-feira, 29,  contra tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Cerca de 200 policiais federais cumpriram mandados de prisão contra 20 pessoas, além de mandados de busca e apreensão em 40 endereços e ordens judiciais para sequestro e bloqueio de imóveis, fazendas, aeronaves, embarcações, veículos e contas bancárias, estimados em mais de R$ 25 milhões. Em São Paulo, três pessoas foram presas pela PF.

Os mandados estão foram cumpridos nas cidades de Cachoeirinha (3), Gravataí (1), Itaqui (1), Novo Hamburgo (1), Charqueadas (1), Tramandaí (1), Itaqui (1), Uruguaiana (2), São Paulo (3), Limeira (3) e Campo Grande (4).

A investigação apura desde junho de 2017 o envio de cocaína da Bolívia para o Rio Grande do Sul. Com o desenvolvimento do inquérito, a Polícia Federal identificou que aviões partiam de Mato Grosso do Sul para serem carregados com grande quantidade de cocaína (em média 500 quilos) na Bolívia e seguiam até o Rio Grande do Sul, onde pousavam em fazendas adquiridas pela organização criminosa.

Polícia Federal apreende dinheiro usado em tráfico de droga. Foto: Polícia Federal / Reprodução

Posteriormente, a droga seguia por via rodoviária para outros estados e permanecia em depósitos até ser despachada para a Europa através de portos brasileiros.

Uma das apreensões ocorreu no terminal portuário de Navegantes (SC), em 06 de maio de 2016, quando 811 quilos da droga, escondidos em blocos de granito, foram localizados pela Receita Federal em contêineres que seriam despachados para a Espanha. Em outra apreensão, em 23 de junho deste ano, a Polícia Federal flagrou 448 quilos da droga escondidos em um bloco de concreto, em um caminhão que trafegava pelo município de Unistalda (RS).

Drogas apreendidas pela Polícia Federal. Foto: Polícia Federal / Divulgação

Até o momento, a PF identificou o volume de 2,2 toneladas de cocaína que foram enviadas ou que seriam despachadas do Brasil para a Europa pelo grupo criminoso.

Em agosto, a Polícia Federal prendeu um dos narcotraficantes envolvidos no esquema. Análise de dados bancários e fiscais possibilitaram o rastreamento do fluxo financeiro do grupo criminoso, indicando a utilização de doleiros em São Paulo para o pagamento das transações do tráfico de drogas no exterior.

A investigação aponta para um banco informal responsável pela lavagem de dinheiro oriundo de crimes além do tráfico de drogas, como contrabando.

Segundo cálculos da PF, cerca de 1,4 bilhão foram lavados pelos doleiros nos últimos três anos.

A PF diz que já rastreou cerca de 90 empresas de fachada e 70 pessoas empregadas como “laranjas” do grupo para a operacionalização da lavagem de dinheiro e operações de câmbio ilegais.

Os investigados na Operação Planum podem responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico de drogas, operação de instituição financeira sem a devida autorização, operação de câmbio não autorizada e lavagem de dinheiro.