PF avalia que delação de Duque ‘vai ter repercussão política’

Ex-diretor de Serviços da Petrobrás, elo do PT na estatal, está fechando negociação com Ministério Público Federal; para delegado, revelações terão o mesmo impacto da delação de Paulo Roberto Costa

Redação

05 de agosto de 2015 | 04h00

Renato Duque, que passou a fazer consultorias, após deixar a Petrobrás. Foto: Fábio Motta/Estadão

Renato Duque. Foto: Fábio Motta/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A Polícia Federal avalia que se o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque – preso desde março por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro-, confirmar acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, suas revelações ‘vão ter repercussões na área política’. Duque e um outro ex-diretor da estatal, Nestor Cerveró (Internacional), também prisioneiro da Lava Jato e já condenado a cinco anos de cadeia, estão negociando colaboração com o Ministério Público Federal.

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Nesta segunda-feira, 3, os criminalistas Alexandre Lopes, Renato de Morais e João Baltazar renunciaram em todos os processos em que defendiam Duque. “Em razão de princípios nossos, não advogamos para aquele que resolve realizar delação premiada. O advogado do delator passa a ser, em verdade, o Ministério Público. Delação, em nossa visão, não se coaduna com defesa criminal”, afirmou Alexandre Lopes.

Duque é apontado como elo do PT no esquema de pagamento de propinas na estatal petrolífera. Ele teria sido indicado ao cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula).

“Os que estão presos hoje, se vierem a fazer acordo com certeza vão ter repercussões na área política”, disse o delegado da PF Igor Romário de Paula, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato. O delegado incluiu outros eventuais colaboradores. “Renato Duque, (Nestor) Cerveró, (Fernando) Baiano, enfim”, disse Igor Romário de Paula.

OUÇA A ENTREVISTA DO DELEGADO IGOR ROMÁRIO DE PAULA

Fernando “Baiano” Soares é apontado como operador de propinas do PMDB na Petrobrás. Cerveró foi diretor da área internacional da estatal e Duque liderava uma das unidades mais estratégicas da companhia, a Diretoria de Serviços.

Duque foi preso após a Polícia Federal flagrar a tentativa do ex-executivo de ocultar patrimônio não declarado na Suíça por meio, por exemplo, da transferência de 20 milhões de euros para uma conta no Principado de Mônaco.

Para a PF, a delação de Duque pode ter o mesmo impacto da delação de um outro ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa (Abastecimento) – capturado em março de 2014, Costa tornou-se o primeiro delator da Lava Jato e apontou os nomes de deputados, senadores e governadores que teriam sido beneficiários de propinas do cartel de empreiteiras que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014.

“É um outro leque de informações. Não sei ainda se esse acordo vai de fato acontecer, se vai ser efetivado, mas Renato Duque dispõe de uma série de informações em um nível semelhante ao de Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento) Ele era diretor de uma das diretorias da Petrobrás, então, vamos esperar. A perspectiva é de novas informações”, afirmou o delegado Igor Romáro de Paula.

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