PF confisca US$ 886 mil em operação contra tráfico e contrabando pelo Galeão

PF confisca US$ 886 mil em operação contra tráfico e contrabando pelo Galeão

Carros de luxo dinheiro vivo foram apreendidos na Rush, deflagrada nesta terça-feira, 19, contra tráfico de drogas, descaminho e furto de bebidas no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro; foram presos 29 na ação

Luiz Vassallo

19 de dezembro de 2017 | 19h15

Foto da PF na Operação Rush

Carros de luxo e US$ 886 mil foram apreendidos em endereços de alvos da Operação Rush, deflagrada nesta terça-feira, 19, contra tráfico de drogas, descaminho e furto de bebidas no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

+ Fachin manda PF prender Maluf

Segundo a PF, o esquema, que operava de dentro das aeronaves em pouso, foi desarticulado na maior operação policial realizada naquele aeroporto.
A corporação cumpriu 23 mandados de prisão contra funcionários do aeroporto e 2 contra servidores da Receita Federal. Ao todo, foram 29 presos na operação.

+ ‘Querido, estou sabendo de tudo’

Em três endereços diferentes, foram encontrados os valores de espécie de US$ 74 mil, US$ 807 mil e US$ 5 mil. A Polícia Federal ainda diz ter apreendido diversos veículos.

+ STF investiga Serra, Aloysio e Kassab como beneficiários de cartéis da Odebrecht

Foto: PF

A PF dá conta de que foram identificados três grupos, capitaneados por um ex-funcionário do Galeão, responsável por recrutar os demais membros do grupo criminoso. Ele era auxiliado por seu pai, que ainda exercia atividade laboral no Aeroporto Internacional do Rio.

+ ‘Há um país que se perdeu pelo caminho’, diz Barroso sobre tanta corrupção

“O primeiro grupo criminoso em atuação no Galeão era responsável pelo embarque de malas recheadas de cocaína em aviões com destino ao exterior, burlando a fiscalização policial e alfandegária. Para tanto, contava com o auxílio de funcionários com acesso a área restrita do aeroporto, os quais eram incumbidos de colocar malas em voos internacionais sem que as mesmas sofressem qualquer espécie de inspeção”, afirma a PF.

Foto: PF

A corporação afirma que a droga pertencia a dois estrangeiros, um albanês e um romeno, e ficava armazenada em um galpão localizado no Mercado São Sebastião, na Penha/RJ, onde era preparada em malas para o embarque, sendo transportada até aeroporto preferencialmente por meio de um táxi, pois a quadrilha considerava que assim seria menor o risco de o veículo ser parado em uma “blitz”.

A PF ainda dá conta de que no balcão de “check-in”, funcionários da companhia aérea providenciavam a duplicação irregular de etiquetas de bagagem despachadas por outros passageiros, inocentes, e que não pertenciam à quadrilha, afixando às malas preparadas pela quadrilha, para as quais providenciavam o despacho com o objetivo de garantir a entrada delas na área restrita, simulando destinação para voo doméstico.

“Operadores de rampa, integrantes do grupo criminoso, ao identificarem a bagagem contendo a substância entorpecente, deixavam de colocá-las no contêiner do voo doméstico, desviando as mesmas para contêineres de malas que ingressariam em voo internacional. Outra forma de acesso da cocaína era pela área de apoio do aeródromo”.

Foto: PF

Dentro das investigações, a Polícia Federal realizou em setembro a maior apreensão de cocaína da história do Galeão, contabilizando mais de 300 quilos da droga.

A PF afirma que o segundo esquema visava o desembarque de malas procedentes do exterior, sem que as mesmas fossem submetidas à fiscalização prévia. Na maior parte das vezes, a bagagem era retirada pelos operadores de esteira do desembarque internacional e posteriormente desviadas para a esteira do desembarque doméstico, no intuito de evitar a fiscalização alfandegária e o consequente pagamento do tributo devido.

Segundo a PF, quando o passageiro passava pelo canal de inspeção da Receita Federal, em geral portava apenas bagagens de mão. Após a ação dos operadores de bagagens, as malas eram retiradas por um funcionário da companhia aérea no interior do setor de desembarque doméstico (esteira para retirada de bagagens) e entregue ao passageiro no saguão do aeroporto ou até mesmo na calçada exterior do aeroporto.

Foto: PF

Os investigadores afirmam que funcionários do Galeão se encontravam com passageiros participantes do esquema ainda na porta da aeronave, e os acompanhavam até o canal aduaneiro, onde um servidor da Receita Federal liberava as malas que passavam pelo raio-x mesmo que identificasse mercadoria entrando de forma irregular sem recolhimento dos tributos e taxas legais. Esse servidor foi flagrado durante as investigações recebendo propina para liberar mercadorias.

“Já o último núcleo criminoso atuava subtraindo, com frequência diária, garrafas de vinho, champanhe e garrafas em miniatura de bebidas do interior das aeronaves em pouso. Funcionários da empresa de “catering” realizavam o furto, levando os vasilhames para áreas conhecidas como “pontos cegos”, onde era feita a triagem. O esquema mostrou-se bem estruturado, contando também com auxílio de membros de empresas com trânsito livre na pista do Galeão, responsáveis por retirar a mercadoria furtada das dependências do aeroporto. Agentes de portaria e segurança também eram cooptados para fazer “vista grossa” na saída das bebidas, as quais eram, posteriormente, vendidas para receptadores predefinidos. Em setembro, a PF realizou a prisão de dois funcionários do aeroporto e de um receptador. Foram apreendidas cerca de 2.715 garrafas de bebidas, veículos e dinheiro”, diz a PF.

Foto: PF

Policiais federais cumpriram 36 mandados de prisão preventiva, 01 mandado de condução coercitiva e 36 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Federal Criminal/RJ, nos bairros: Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Campo Grande, Ramos, Ilha do Governador, Olaria, Bonsucesso, Saúde, Inhaúma, Praça Seca, Tomás Coelho, Magalhães Bastos, Vaz Lobo, Bangu e Jacarepaguá, todos na capital fluminense; e também nos municípios de Queimados/RJ, Belford Roxo/RJ, Angra dos Reis/RJ e São Paulo/SP.

Foto: PF

COM A PALAVRA, O RIOgaleão

“Desde o início de sua atuação, em 2014, a concessionária RIOgaleão apoia as investigações e ações da Polícia Federal e demais órgãos públicos para coibir atos ilícitos no Aeroporto Internacional Tom Jobim, onde atuam mais de 15.000 funcionários de 650 empresas. O RIOgaleão não tolera práticas que descumpram qualquer procedimento operacional e de segurança e possui rigorosos processos de prevenção de ilícitos.”

“O investimento de mais de R$ 35 milhões em modernização e desenvolvimento de um novo sistema integrado de segurança e informações resulta em uma infraestrutura que vem contribuindo para o sucesso do trabalho da Polícia Federal e demais órgãos públicos no aeroporto, proporcionando à sociedade um terminal mais seguro e eficiente.”

COM A PALAVRA, RECEITA

Informamos que pelo que foi apurado até agora, a atuação dos servidores era isolada, em locais diferentes (um na Bagagem, outro na Pista), sem vínculo entre si e sem o conhecimento dos demais servidores; portanto, não há quaisquer indícios de corrupção endêmica na Alfândega do Galeão.

A Corregedoria da RFB acompanha o caso, tendo, inclusive, três Auditores-Fiscais e um Analista-Tributário participado da execução dos aludidos mandados.

A conduta dos servidores será objeto de apuração interna por parte da Corregedoria da RFB, que trabalha com rigor, discrição e imparcialidade.

Na hipótese de ficar provado – ao final de procedimento administrativo disciplinar, no qual observa-se o devido processo legal, contraditório e ampla defesa – que os servidores utilizaram indevidamente seus cargos públicos, será aplicada a penalidade de demissão e, ato contínuo, serão afastados definitivamente do serviço público federal.

Tudo o que sabemos sobre:

Aeroporto do GaleãoTráfico de drogas

Tendências: