PF apreende 131 obras de arte na casa de Duque

Juiz aponta 'profissionalismo na prática de lavagem de dinheiro'

Redação

16 de março de 2015 | 13h08

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Andreza Matais, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Polícia Federal apreendeu 131 obras de arte na residência do ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, preso pela Operação ‘Que País é esse?’, décima fase da Lava Jato, deflagrada na manhã desta segunda feira, 16, no Rio. As buscas na casa e em outros dois endereços de Duque foram determinadas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Operação Lava Jato.

A compra de obras de arte é um dos expedientes mais usuais no processo de lavagem de dinheiro. A suspeita é que Renato Duque teria lavado dinheiro de propinas por meio de obras de arte. “Considerando o aparente profissionalismo na prática da lavagem de dinheiro e que, por conseguinte, é razoável concluir que pode-se tratar de produto de crime lavado, autorizo a apreensão destes bens”, decretou o juiz Sérgio Moro.

A PF, no início da Lava Jato, em março de 2014, já havia recolhido expressiva quantidade de obra de arte e joias em poder do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Operação.

Renato Duque chega à Polícia Federal - Foto: Márcia Foletto/Ag. O Globo.

Renato Duque chega à Polícia Federal – Foto: Márcia Foletto/Ag. O Globo.

O juiz também autorizou buscas nos endereços do engenheiro Adir Assad, apontado pela PF como lobista e operador de propinas do esquema Delta, empreiteira associada ao escândalo do contraventor Carlinhos Cachoeira. Assad foi preso.

Toda a coleção de quadros foi confiscada e será encaminhada para Curitiba, onde estão concentradas as investigações da Lava Jato. O procurador da República Roberson Pozzobon, que integra a força-tarefa do Ministério Público Federal, considerou relevante a descoberta na casa de Duque.

“Assim como Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobrás e braço direito de Renato Duque) devolveu aos cofres públicos US$ 97 milhões por ter celebrado acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, é necessário que Renato Duque, que não celebrou acordo, tenha seus valores auferidos ilicitamente acautelados, seja no exterior ou no Brasil, de forma que os cofres públicos possam ser restituídos na sua integralidade”, disse o procurador.

Para ele, o fato de um funcionário público da Petrobrás ter grande quantidade de quadros em sua casa merece atenção das investigações.

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