PF aponta ‘laranjas’ em desvios de dinheiro da campanha Dilma-Temer

Relatório entregue ao Tribunal Superior Eleitoral indica os resultados de diligências realizadas no final de dezembro em três gráficas fornecedoras da chapa em 2014, informou Globo News

Fausto Macedo e Mateus Coutinho

24 de janeiro de 2017 | 16h53

dilmatemerdiv

Relatório da Polícia Federal revela que ‘laranjas’ foram usados para desvio de recursos que deveriam ter sido destinados para a campanha da chapa Dilma-Temer em 2014. O documento foi entregue pela PF ao Tribunal Superior Eleitoral, que conduz Ação de Investigação Judicial Eleitoral que pede a cassação da chapa por supostas irregularidades.

As informações foram divulgadas com exclusividade pela repórter Andréa Sadi, da Globo News, nesta terça-feira, 24.

Sadi apurou que o documento mostra, por exemplo, o caso de um motorista de uma gráfica que ganhava salário de R$ 3 mil, mas movimentou cerca de R$ 1 milhão na conta bancária.

O relator da Ação Judicial de Investigação Eleitoral é o ministro Herman Benjamin.

O documento da PF aborda especificamente os resultados das diligências realizadas pela PF em dezembro de 2016. O alvo da missão policial foram três gráficas contratadas pela campanha Dilma-Temer, a VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior Ltda, a Focal Confecção e Comunicação Visual Ltda e a Rede SEG Gráfica Eireli.

A PF aponta que a finalidade do uso de ‘laranjas’ por fornecedores da campanha seria ocultação de bens e valores desviados, destacou a reportagem de Andreia Sadi.

Os investigadores identificaram que o dinheiro que deveria ter sido usado na campanha foi, na verdade, desviado, para pessoas físicas e jurídicas. A PF avalia que esse tipo de procedimento pode ter algum tipo de repercussão na esfera criminal, destacou Sadi.

As gráficas movimentaram valores excepcionais na campanha de 2014. A empresa Focal, por exemplo, apareceu como a segunda maior fornecedora da campanha – recebeu aproximadamente R$ 25 milhões, ficando atrás apenas do marqueteiro João Santana, que ganhou R$ 70 milhões e acabou preso na Operação Lava Jato.

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