PF afirma que houve ‘pagamento de vantagem indevida’ a Temer e Rocha Loures

PF afirma que houve ‘pagamento de vantagem indevida’ a Temer e Rocha Loures

No relatório parcial entregue ao ministro Edson Fachin, do Supremo, delegado do Inquérito 4483 diz que repasses ao presidente teriam ocorrido de maneira 'remota'

Isadora Peron, Rafael Moraes Moura e Breno Pires, de Brasília

20 de junho de 2017 | 17h10

Michel Temer e Ricardo Rocha Loures. Foto: JBatista / Agencia Camara

O relatório parcial enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 19, afirma que, pelos elementos reunidos no inquérito que tem como alvo o presidente Michel Temer, é possível concluir que houve ‘pagamento de vantagem indevida’ de maneira ‘remota’ ao peemedebista e ‘imediatamente’ a Rodrigo Rocha Loures (ex-deputado-PMDB-PR) pelos empresários do Grupo J&F.

“Os elementos reunidos nos autos do Inquérito n° 4483 permitiram que fossem elaboradas conclusões acerca do fato ‘pagamento de vantagem indevida pelo Grupo J & F Investimentos S/A a Rodrigo Rocha Loures imediatamente e a Michel Miguel Elias Temer Lulia, Presidente da República, remotamente, em razão de interferência ou de suposta interferência no andamento de processo administrativo em trâmite na Conselho Administrativa de Defesa e Econômica (CADE)’”, diz o documento.

Hoje pela manhã, em Moscou, o presidente não quis comentar a informação de que a Polícia Federal teria encontrado indícios de corrupção envolvendo seu nome. “Isso não é uma questão política, é uma questão jurídica. E eu não faço juízo jurídico”, disse ele.

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No relatório, a PF se reportou ao fato de que Temer não respondeu nenhuma das 82 perguntas a ele endereçadas sobre o caso JBS.

“Diante do silêncio do mandatário maior da nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva.”

No relatório, a PF diz ainda que é “recomendável” esperar a conclusão da perícia na conversa gravada entre Temer e o empresário Joesley Batista para emitir conclusões sobre se houve tentativa de embaraço a investigação criminosa.

O documento, assinado pelo delegado Thiago Machado Delabary, afirma ainda que a PF precisa de mais cinco dias de prazo para dar prosseguimento a investigações relacionadas a outros dois fatos: se houve pagamentos periódicos ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Lúcio Bolonha Funaro, como forma de mantê-los em silêncio, ou seja, evitando eventual celebração de acordo de colaboração premiada deles, e para a confissão que Joesley fez a Temer que estava corrompendo magistrados e membros do Ministério Público.

Cabe ao relator do inquérito no STF, ministro Edson Fachin, decidir se vai atender ao pleito da Polícia Federal e estender o prazo para as investigações. A expectativa é que isso aconteça ainda nesta terça-feira, 20.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTÔNIO CLÁUDIO MARIZ DE OLIVEIRA, ADVOGADO DE MICHEL TEMER

“Relatório policial deveria ser, como o próprio nome diz, o relato das investigações e não uma peça acusatória.”

“A autoridade policial não acusa, investiga.”

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