PF achou R$ 20 mil em dinheiro vivo na casa de ex-assessor de Temer

PF achou R$ 20 mil em dinheiro vivo na casa de ex-assessor de Temer

Valor em espécie foi encontrado, mas não apreendido, em endereço de Rocha Loures em Brasília por agentes federais no dia 18 de maio, quando a Operação Patmos foi desencadeada

Breno Pires e Isadora Peron, de Brasília, e Luiz Vassallo, de São Paulo

02 de junho de 2017 | 17h12

Rocha Loures carrega mala com R$ 500 mil em dinheiro. Foto: Reprodução

Buscas e apreensões, no âmbito da Operação Patmos, em endereços ligados ao ex-assessor de Michel Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), em Brasília, encontraram R$ 20 mil em dinheiro vivo, na casa dele em Brasília. Os valores não foram confiscados por serem inferiores ao autorizado para apreensão.

Loures é investigado por supostamente agir em nome de Temer e na condição de ‘homem de confiança’ do presidente e interceder junto à diretoria do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – órgão antitruste do governo federal – em benefício da JBS.

Delatores da JBS dizem que foi prometida uma ‘aposentadoria’ de R$ 500 mil semanas durante vinte anos a Loures e ao presidente Temer.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot pediu novamente a prisão preventiva do peemedebista, nesta quinta-feira, 1.

Loures foi flagrado correndo por uma rua de São Paulo carregando uma mala estufada de propinas da JBS – 10 mil notas de R$ 50 somando R$ 500 mil.

No mandado de busca e apreensão da Operação Patmos, executado no dia 18 de maio, a Polícia Federal comunicou ter achado os R$ 20 mil em espécie, mas registra não ter confiscado os valores.

“Comunico que no dia de hoje foi dado cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos da Ação Cautelar n° 4328. Além de documentos, foram encontrados aproximadamente R$ 20.000,00 e por ser valor inferior ao autorizado para apreensão, conforme decisão judicial, todas as cédulas foram fotografadas para instrução do processo”, anota o escrivão da Polícia Federal André Luis Acosta dos Santos.

Em áudio gravado por Joesley Batista, acionista da JBS, durante visita ao Palácio do Jaburu, na noite de 7 de março, Temer indica Loures para ser seu interlocutor junto à JBS. Na conversa, o presidente sugeriu que o empresário poderia tratar de qualquer assunto com seu então assessor, o então deputado Rocha Loures.

Loures é acusado de receber propinas de R$ 500 mil semanais em troca de influência sobre o preço do gás fornecido pela Petrobrás à termelétrica EPE – o valor da propina, supostamente ’em benefício de Temer’, como relataram executivos da JBS, é correspondente a 5% do lucro que o grupo teria com a manobra.

Esta semana, o peemedebista perdeu o cargo de deputado federal após a demissão de Osmar Serraglio do Ministério da Justiça. Ele já estava afastado pelo Supremo da vaga que ocupava como suplente do ex-chefe da Justiça.