PF acha ‘Tiago acompanhando’ em planilha de ‘esquema criminoso’

PF acha ‘Tiago acompanhando’ em planilha de ‘esquema criminoso’

Em tabela apreendida na Lava Jato, Polícia Federal liga a sigla ‘TC’ a Tiago Cedraz, filho do ministro do TCU Aroldo Cedraz, alvo da Operação Abate II

Julia Affonso e Ricardo Brandt

23 Agosto 2017 | 10h44

A Polícia Federal afirma ter encontrado citação ao advogado Tiago Cedraz, filho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, em planilha de propina apreendida pela Operação Lava Jato. Segundo a investigação, as siglas ‘ST’ e ‘TC’ na tabela seriam referências aos advogados Sergio Tourinho Dantas e Tiago Cedraz Leite Oliveira. Os dois foram alvo de buscas da Operação Abate II, 45.º desdobramento da Lava Jato, deflagrada nesta quarta-feira, 23.

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A suposta propina a Cedraz e a Tourinho teria saído da contratação pela Petrobrás da empresa americana Sargeant Marine, para fornecimento de asfalto. O negócio envolve, ainda, o ex-líder dos Governos Lula e Dilma na Câmara, Cândido Vaccarezza, que foi preso na sexta-feira, 18, e solto nesta terça, 22.

Ao autorizar as buscas, o juiz Sérgio Moro afirmou que ‘examinando a referida planilha, consta o lançamento, relativamente à primeira aquisição de asfalto da Sargeant Marine pela Petrobrás, de USD 49.506,04 para “ST e TC”, o que converge com Sergio Tourinho e Tiago Cedraz’.

“Em outras planilhas apreendidas, retratando negócios do grupo formado, há referências mais explicitas ao nome de ambos, anotações como “Tiago acompanhando” e “aguardando mandato adv. amigo STourinho”, anotou o magistrado.

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A Federal apresentou a Moro um comprovante de transferência bancária de USD 90.909,00 da conta em nome da off-shore Total Tec Power, no Clariden Leu, na Suiça, controlada pelos operadores de propina do PMDB Jorge Luz e Bruno Luz, para a conta em nome da off-shore Rosy Blue DMCC, mantida no HSBC Private Bank, em Genebra.

“Oportuno lembrar que, segundo os depoentes, essas transferências tinham por objetivo distribuir os lucros entre os participantes do referido esquema criminoso, inclusive para Sergio Tourinho Dantas e Tiago Cedraz Leite Oliveira”, observou o juiz da Lava Jato

Moro destacou ainda que, apesar de Tourinho e Cedraz serem advogados, ‘a imunidade profissional não abrange suas atividades, já que aqui há indícios, em cognição sumária, de sua participação em esquema criminoso que envolveu o pagamento de vantagem indevida a agentes da Petrobrás, além de comissões para eles próprios’.

O juiz da Lava Jato autorizou buscas na casa de Tiago Cedraz e o intimou a prestar depoimento à Lava Jato. O filho do ministro do TCU não foi alvo de condução coercitiva.

COM A PALAVRA, TIAGO CEDRAZ

O advogado Tiago Cedraz reitera sua tranquilidade quanto aos fatos apurados por jamais ter participado de qualquer conduta ilícita, confia na apuração conduzida pela Força Tarefa da Lava Jato e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.

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