PF acha celular em vaso sanitário de advogado na Operação Registro Espúrio

PF acha celular em vaso sanitário de advogado na Operação Registro Espúrio

João Alberto Graça, com escritório em Londrina (PR), foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da operação que mira o Ministério do Trabalho e investiga desvios de quase R$ 13 milhões da Conta Emprego

Breno Pires/BRASÍLIA

13 Dezembro 2018 | 16h53

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal encontrou um celular dentro de um vaso sanitário, ao cumprir um mandado de busca e apreensão em um endereço ligado ao advogado João Alberto Graça, em Londrina (PR), nesta quinta-feira, 13, na quinta fase da Operação Registro Espúrio. O advogado já havia sido preso temporariamente na primeira fase da operação, no fim do maio.

Segundo fontes da PF, o advogado disse a agentes que não estava com celular, depois que eles chegaram ao local onde se encontrava.

A equipe de policiais, no entanto, encontrou o aparelho ‘dentro do vaso, debaixo d’água, como se houvesse sido dada a descarga’.

O aparelho é à prova d’água e poderá ser periciado.

Se a PF concluir que houve tentativa de destruição de prova por parte do advogado, é possível haver a requisição de sua prisão. Em um outro caso, nesta semana, por exemplo, o advogado Tony Lo Bianco, foi preso por suspeita de orientar a destruição de provas da investigação que levou à prisão do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na OPeração Boca de Lobo.

“A atuação irregular do advogado (Lo Bianco) foi descoberta durante o cumprimento dos mandados da Operação Boca de Lobo”, informoou a Procuradoria-Geral da República sobre esse pedido de prisão.

O episódio em Londrina acontece pouco mais de seis meses da prisão temporária de João Alberto Graça na primeira fase da Operação Registro Espúrio, quando o foco dos investigadores eram fraudes nos processos de concessão de registros sindicais – o que já se refletiu em denúncia.

Nas duas últimas fases, cumpridas em setembro e nesta quinta-feira, 13, o foco é o desvio de dinheiro da Conta Especial Emprego e Salário (CEES) do Ministério do Trabalho, por meio de fraudes na restituição de valores das contribuições sindicais.

Graça é suspeito de ter atuado também neste segundo nicho de irregularidades.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

Por ordem de Fachin, que não mandou prender ninguém nessa nova fase da Registro Espúrio, foi afastado do cargo o consultor jurídico do Ministério do Trabalho e ministro em exercício, Ricardo Leite. O titular estava em viagem.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO JOÃO ALBERTO GRAÇA

Procurado por meio de seu escritório, o advogado João Alberto Graça não retornou o contato da reportagem.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DO TRABALHO

“O Ministério do Trabalho acompanha as ações desenvolvidas pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13) com o propósito de apurar eventuais irregularidades em autorizações de restituição de imposto sindical. Cabe ressaltar que, desde o início da atual gestão, foram tomadas todas as medidas necessárias para apuração, a fim de evitar prejuízos ao erário e sanar possíveis problemas.”

“Em relação aos processos de solicitação de restituições de contribuições sindicais urbanas, foi determinada em setembro de 2018 a manutenção da suspensão de repasses de recursos relativos a essas restituições, à exceção daquelas determinadas por ordem judicial.”

“Em 5 de outubro, a partir de relatório da Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério do Trabalho instaurou um grupo de correição para apurar possíveis irregularidades em processos de restituição de Contribuição Sindical Urbana do período de janeiro de 2016 a abril de 2018, relacionados à operação Registro Espúrio da Polícia Federal. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos até 31 de dezembro deste ano.”

“Outro grupo de correição foi instaurado para apurar possíveis irregularidades em processos de requerimento de registro sindical indicados pela Polícia Federal, relativos à mesma operação.”

“Ao mesmo tempo em que contribui para as apurações necessárias, o Ministério do Trabalho aguarda a conclusão das investigações da Polícia Federal, sem prejuízo à sua missão e ao seu relevante papel social, sempre garantindo o mais amplo direito de defesa àqueles que foram alvo da operação desta quinta-feira.”

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