PF acha bens transferidos, pagamentos fracionados e ‘doadores ocultos’ de Fernando Bezerra

PF acha bens transferidos, pagamentos fracionados e ‘doadores ocultos’ de Fernando Bezerra

Além de indícios de supostos dribles às investigações, agentes também afirmam ter encontrado elementos que reforçam elos entre líder do governo Bolsonaro e supostos crimes alvo da Operação Desintegração, que mira propina de empreiteiras

Luiz Vassallo

25 de setembro de 2019 | 06h00

Reprodução de relatório da PF

‘Doadores ocultos’, pagamentos fracionados, bens transferidos a terceiros, e documentos que reforçam elos entre supostas propinas de empreiteiras foram encontrados em endereços ligados o líder do governo Bolsonaro (PSL) no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Estas são as conclusões da Polícia Federal em relatórios sobre o material que foi apreendido no Legislativo, além de outros endereços vasculhados na última sexta, 19.

Documento

Alvos da Operação Desintegração, deflagrada por ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, o emedebista e seu filho, são suspeitos de receber R$ 5,538 milhões de quatro empreiteiras – OAS, Paulista, Constremac e Barbosa Mello.

A ofensiva provocou imediata reação dos aliados dos Bezerra. A presidência do Senado anunciou que vai ao Supremo contra a missão que a PF executou por determinação de Barroso.

Os agentes concluem, em uma análise preliminar do material, que é possível ‘afirmar que há documentos que trazem consigo indicativos da materialidade dos crimes indicados no bojo do Inquérito, sendo para isso a necessidade de sua devida análise a fim de confirmar a hipótese criminal’.

Na casa do filho de Bezerra Coelho, foi apreendida a soma de R$ 120 mil em espécie, se somados valores em moeda nacional e estrangeira.

Reprodução de relatório da PF

Dilapidação

Reprodução de relatório da PF

Entre os papéis, estão 3 minutas de promessa de compra e venda de imóvel, tendo como promitentes vendedores Fernando Bezerra de Souza Coelho Filho esposa, Maria Laura Modesto Kehrle. E, também um termo de Cessão de Direitos Hereditários a Título Oneroso, tendo como cessionários os senhores Fernando Bezerra de Souza Coelho e Elder Rocha Dantas Filho. “Trazem indicativos de bens dos investigados sendo transferidos para terceiros”, dizem os agentes.

Relações

Reprodução de relatório da PF

De acordo com a PF, as buscas ‘registram que, mesmo após lapso temporal entre os principais fatos investigados, os
locais de busca ainda continham dados que se relacionam diretamente com os fatos investigados’.

Com Fernando Coelho, ‘foi apreendido um HD contendo documentos referentes ao investigado André Gustavo da Silva, que seria um dos operadores financeiros tanto do Deputado Federal Fernando Corelho, como do Senador Fernando Bezerra Coelho’.

“Ainda no Gabinete do Deputado Federal FERNANDO BEZERRA DE SOUZA COELHO, foi encontrado no computador utilizado pela secretária ROBERTA SOUTO, documentos que igualmente fazem referência a pessoas tisicas e jurídicas diretamente envolvidas nos fatos em apuração”, afirma a PF.

Entre os documentos encontrados pela PF, estão papéis que mencionam as construtoras Paulista e Barbosa Mello. “Com efeito, pesquisa eletrônica realizada num HD externo localizado no gabinete da liderança do governo também identificou a existência de documentos, inclusive, pagamentos à Construtora Barbosa Mello”.

Fracionamento e doadores ocultos

Reprodução de relatório da PF

Também foram confiscados, segundo a PF, ‘diversos comprovantes depósitos de envelope de dinheiro em espécie’. “Ao analisar, é possível perceber que para cada uma dessas há vários valores depositados no mesmo dia, o que poderia indicar um fracionamento de modo a tentar enganar os órgãos de controle”.

“Outro exemplo de dado localizado no gabinete da liderança que chamou a atenção desta equipe de investigação foi uma planilha contendo uma relação de doadores ocultos”, afirmam os federais.

 

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