PF abre quarta fase da ‘Carne Fraca’ e mira propinas de R$ 19 mi para fiscais agropecuários

PF abre quarta fase da ‘Carne Fraca’ e mira propinas de R$ 19 mi para fiscais agropecuários

Operação Romanos cumpre 68 mandados de busca e apreensão em nove Estados - Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro

Pepita Ortega e Fausto Macedo

01 de outubro de 2019 | 07h46

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, na manhã desta terça, 1, a quarta fase da Operação Carne Fraca, batizada de Romanos. A investigação apura crimes de corrupção passiva cometidos por auditores fiscais agropecuários federais que teriam recebido propinas para atuarem em benefício da BRF. Segundo a PF, há indicativos de que foram destinados R$ 19 milhões para os pagamentos indevidos.

Cerca de 280 Policiais Federais cumpriram 68 mandados de busca e apreensão em nove Estados: Paraná (9), São Paulo (2), Santa Catarina (22), Goiás (10), Mato Grosso (6), Pará (1), Rio Grande do Sul (15), Minas Gerais (1) e Rio de Janeiro (2).

Foram apreendidos diversos celulares e documentos, bem como realizadas várias extrações de servidores de pessoas jurídicas, diz a PF.

Entre os alvos de buscas está a empresa União Avícola Agroindustrial, controlada pelo ex-senador Cidinho Santos. A companhia teria sido utilizada pela BRF para repassar propina para fiscais agropecuários federais.

As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR).

De acordo com a Polícia Federal, o inquérito tem como base a colaboração da BRF, que indicou que ao menos 60 auditores teriam recebido propinas.

Os valores eram pagos em espécie, por meio do custeio de planos de saúde e até mesmo por contratos fictícios firmados com pessoas jurídicas, diz a PF.

A corporação indicou ainda que o esquema teria sido interrompido em 2017, quando o grupo alimentício passou por uma reestruturação interna.

Segundo a PF, o nome da operação faz referência a passagens bíblicas do Livro de Romanos, ‘que tratam de confissão e Justiça’.

Confira as cidades onde a PF realizou as atividades da fase 4 da ‘Carne Fraca’:

  • Goiás – Mineiros, Jataí, Rio Verde, Paranaiguara e Goiânia;
  • Minas Gerais – Belo Horizonte;
  • Pará – Xinguara;
  • Paraná – Carambeí, Castro, Ponta Grossa e Curitiba;
  • Rio de Janeiro – Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Sul – Lajeado, Nova Prata, São Jorge, Serafina Corrêa, Marau, Montenegro e Santa Cruz do Sul;
  • Santa Catarina – Balneário Camboriú, Blumenau, Itajaí, Navegantes, Capinzal, Chapecó, Herval D’Oeste, Joaçaba, Luzerna, Florianópolis e Videira;
  • São Paulo – São Paulo;

COM A PALAVRA, A BRF

“A BRF S.A. (“BRF” ou “Companhia”) (B3: BRFS3; NYSE: BRFS) vem pelo presente esclarecer, em relação às notícias veiculadas na imprensa sobre a operação deflagrada pela Polícia Federal denominada “Operação Romanos”, que nenhum de seus escritórios ou instalações ou de seus administradores foi alvo, nesta data, de medidas de busca e apreensão no âmbito dessa operação e suas atividades seguem em plena normalidade.

Em consonância com comunicados ao mercado anteriores, a BRF tem colaborado com as autoridades para o esclarecimento dos fatos apurados nas investigações conduzidas pela Polícia Federal e Ministério Público.

A BRF reitera o compromisso de sua administração com a adoção de um sistema eficaz, eficiente e integrado de compliance, que continue assegurando a conformidade de sua atuação com as normas vigentes.”

COM A PALAVRA, A UNIÃO AVÍCOLA

A reportagem entrou em contato com a empresa, por email. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O EX-SENADOR CIDINHO SANTOS

Por telefone, o senador afirmou: “Há a acusação de pagamento de vantagens para um fiscal, mas a informação não é verdadeira. Colocamos todos os documentos à disposição das autoridades e estamos tranquilos, à disposição da investigação. Lamento a exposição da empresa, totalmente desnecessária.”

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