PF abre Operação Hermano contra desvio de R$ 1,6 milhão da Saúde e Educação na fronteira de Roraima com a Venezuela

PF abre Operação Hermano contra desvio de R$ 1,6 milhão da Saúde e Educação na fronteira de Roraima com a Venezuela

Agentes fazem buscas em cinco endereços ligados aos investigados; há suspeita de participação de ex-secretário de finanças da prefeitura e de ex-coordenador do Fundo Municipal de Saúde

Rayssa Motta e Pedro Prata

04 de fevereiro de 2021 | 09h19

Agentes fizeram buscas em cinco endereços ligados aos investigados na capital de Roraima, Boa Vista, que fica a cerca de 80 quilômetros de Iracema. Foto: Reprodução/Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, 4, a Operação Hermano para aprofundar investigações sobre suspeitas de desvios de recursos da Saúde e da Educação no município de Iracema, na região Sul de Roraima, na fronteira com o Amazonas e a Venezuela. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em R$ 1,6 milhão.

Os agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão em endereços comerciais e residenciais ligados aos investigados na capital Boa Vista. As ordens foram expedidas pela 4ª Vara da Justiça Federal em Roraima.

As investigações apontam que os desvios teriam sido operados entre dezembro de 2017 e junho de 2019 – período que inclui o primeiro mandato do atual prefeito Jairo Ribeiro de Souza (MDB). Segundo o inquérito, o suposto esquema contou com envolvimento do então secretário municipal de finanças, João Batista Ribeiro Sousa, que é irmão do prefeito, e de um ex-coordenador do Fundo Municipal de Saúde. Ambos seriam responsáveis por autorizar a saída do dinheiro.

O município de Iracema (RR), que pouco mais de 10 mil habitantes, faz fronteira com a Venezuela e com o Amazonas. Foto: Reprodução/Google Maps

Além dos agentes públicos, o sócio de uma empresa de contabilidade contratada pela prefeitura também é investigado sob suspeita de indicar a construtora apontada como beneficiária dos possíveis desvios. De acordo com a Polícia Federal, ele ainda teria passado orientações sobre como dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização.

“Mais de um milhão e seiscentos mil reais teriam sido transferidos para a construtora irregularmente, sem qualquer procedimento e possivelmente integralmente desviados, não havendo registros de prestação de serviços ou entrega de quaisquer produtos”, informou a PF.

O nome da operação, ‘Hermano’, faz referência ao parentesco do ex-secretário de finanças com o prefeito.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA

A reportagem entrou em contato com a prefeitura aguarda resposta. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, OS CITADOS

A reportagem busca contato com os citados. O espaço está aberto para manifestação (rayssa.motta@estadao.com).

Assista a alguns registros da operação:

 

 

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