Lava Jato prende banqueiro por lavagem de R$ 90 mi do esquema de Cabral

Lava Jato prende banqueiro por lavagem de R$ 90 mi do esquema de Cabral

Eduardo Plass e duas sócias minoritárias são suspeitos de lavagem de mais de R$ 90 milhões envolvendo joalheira de luxo

Fausto Macedo, Julia Affonso e Renata Batista

03 Agosto 2018 | 08h39

Eduardo Plass. Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro deflagrou nesta sexta-feira, 3, a Operação Hashtag. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal foram as ruas cumprir quatro mandados de busca e apreensão e a prisão temporária do banqueiro Eduardo Plass e duas sócias minoritárias por lavagem de mais de R$ 90 milhões envolvendo joalheira de luxo na Zona Sul da capital fluminense.

As informações foram divulgadas pela Procuradoria da República.

Segundo a Lava Jato, Eduardo Plass já havia sido conduzido coercitivamente, no ano passado, quando foi deflagrada a Operação Eficiência, que apurou ocultação de mais de US$ 100 milhões do ex-governador Sérgio Cabral no exterior. O banqueiro foi presidente do Banco Pactual e é sócio majoritário do TAG Bank, no Panamá, e da gestora de recursos OPUS.

As investigações da Procuradoria apontam crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas cometidos pelos investigados, comandados por Eduardo Plass. O esquema consistia no recebimento de dinheiro em espécie dos diretores administrativos de joalheria em Ipanema, Zona Sul do Rio, e, posteriormente, transferência no exterior de valores de uma conta sob seu controle (The Adviser Investmentes Limited S.A.) para uma empresa offshore de fachada (Fleko S.A. ou Erposition S.A.), que, por sua vez, ainda transferia esses valores para uma outra empresa offshore de fachada (Robilco S.A.), e que, por fim, transferia os valores para a empresa holding do grupo da joalheria.

Para dar aparência de legalidade às transações, a equipe de Eduardo Plass assinava contratos fictícios de empréstimos com os diretores da joalheria, muitos deles com datas retroativas ideologicamente falsas, forjados como se fossem empréstimos entre a empresa The Adviser Investments e as offshores Fleko e Erposition, que recebiam os valores no momento inicial de cada transação.
Assim, durante o período em que se realizaram essas transações ilegais, entre 2009 e 2015, foi cometida uma série de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, pelos diretores da joalheria, que agora colaboram com as investigações do MPF, e pelos investigados Eduardo Plass, Maria Ripper Kos e Priscila Moreira Iglesias.

No total, foram entregues em espécie e transferidos no exterior em dólares os valores equivalentes a U$ 24.371.000,00, em reais, mais de 90 milhões. O MPF pediu o bloqueio deste valor a título de reparação de danos e valor equivalente a título de danos morais, totalizando o valor de R$ 181 milhões.

“O que chama a atenção neste caso é o próprio banqueiro fazer operações de dólar-cabo a fim de lavar capitais. Com isso, fica comprometida toda regulação de compliance. É como se o árbitro de futebol entrasse em campo, por baixo do uniforme, com a camisa de um dos times, encobrindo ativamente jogadas desleais”, analisam os procuradores da força-tarefa.

Coordenador do Programa Econômico da campanha de Meirelles é sócio de banqueiro preso

O economista José Márcio Camargo, sócio da Opus e principal assessor da área econômica do candidato do MDB à presidência, Henrique Meirelles, disse ao Estado que ainda não tem informações detalhadas sobre o que está sendo investigado na operação Hashtag, deflagrada na manhã de hoje pela Polícia Federal. Ele avisou que comunicou ao ex-ministro da Fazenda o ocorrido e que os dois combinaram de conversar, à medida que a situação fique mais clara, para avaliar se afeta a campanha.

Na operação, a PF prendeu dois dos sete sócios de Camargo na gestora: o banqueiro Eduardo Plass e Maria Ripper Kos. A avaliação de Camargo é que as investigações estão focadas no TAG Bank, banco com sede no Panamá, do qual Plass também é sócio. Com isso, ele espera que a Opus, que administra apenas fundos fechados, não tenha maiores problemas. Mesmo assim, deixou clara a necessidade de acompanhar o desenrolar do caso.

“São duas empresas separadas (TAG Bank e Opus). O Plass é sócio das duas, mas a impressão inicial é que as investigações estão direcionadas à empresa no exterior”, disse, frisando que, como a gestora trabalha apenas com fundos exclusivo, não há maiores preocupações com a reação imediata dos clientes.

“Vamos esperar a situação ficar mais clara. Até agora, pelo que vimos, tem a ver com o TAG Bank e não com a Opus”, declarou o economista, que é responsável pela área de análise da gestora e trabalha no desenvolvimento do programa de Meirelles, cuja candidatura foi confirmada ontem na convenção do MDB.

A reportagem está tentando localizar os citados. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RODRIGO ROCA, QUE DEFENDE SÉRGIO CABRAL

“A operação de hoje foi o primeiro grande passo para se comprovar que os “bons moços” que se arvoraram em delatores nos processos julgados até o momento, são, em verdade, oportunistas que trocaram benefícios por mentiras. Talvez agora apareçam as joias e o dinheiro que atribuíram a Sérgio Cabral injustamente.”

Mais conteúdo sobre:

Polícia Federal