PF abre investigação sobre venda de dados de autoridades após megavazamento de CPFs

PF abre investigação sobre venda de dados de autoridades após megavazamento de CPFs

Estadão revelou comercialização das informações na internet; Ministério da Justiça diz que 'providências em relação à apuração dos fatos já estão sendo adotadas pela Polícia Federal'

Rayssa Motta

03 de fevereiro de 2021 | 15h12

A Polícia Federal abriu uma frente de investigação para apurar a venda online de dados de autoridades obtidos no megavazamento de 223 milhões de CPFs. A comercialização das informações foi revelada pelo Estadão.

Na segunda-feira, 1º, o presidente Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, pediu providências ao ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça. Isso porque o vazamento afetou os onze integrantes do tribunal. A pasta confirmou que as medidas estão sendo adotadas pela PF.

Informações de autoridades estão sendo vendidas na internet após vazamento de dados. Foto: Reprodução/www.pexels.com

Foram parar na internet informações como nome, endereço, renda, imposto de renda, fotos, participantes do Bolsa Família, scores de crédito e outros dados compilados em agosto de 2019. Além dos onze ministros do STF, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e os ex-presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também foram atingidos.

Como mostra a reportagem de Bruno Romani, o hacker está oferecendo informações em 37 categorias, vendidas em pacotes a partir de US$ 500. Entre os ministros do Supremo, Ricardo Lewandowski é o mais afetado, com dados em 26 delas. Todos os outros também têm informações em mais de 20 categorias: Fux (23) Dias Toffoli (25), Luiz Roberto Barroso (25),  Alexandre de Moraes (24),  Gilmar Mendes (24),  Rosa Weber (23), Kassio Nunes Marques (23), Edson Fachin (22), Cármen Lúcia (21) e Marco Aurélio Mello (21).

Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, por exemplo, têm dados de PIS, renda e salário. Já Rosa Weber tem à venda dados referentes ao imposto de renda de 2017.

Até aqui, a origem do vazamento é desconhecida. Há indícios de que as informações pertençam à base de dados do Serasa.

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